Uma vez
Era um menino. E esse drama. A fatalidade, a inevitabilidade, a incongruência, a derrota, e ela. Tanto depois que não vê nos olhos atônitos a transparência quase empolgante e os seios que não desnudara aquele tempo certamente ririam desses dois peitos sugados e mortos, e dessas olheiras e dessa decepção, o teatro quase incisivo do suicídio, e então a encruzilhada. Era esse drama. E um menino.
-- publicado em Terça-feira, Agosto 19, 2003, às 10:57:05 AM
... Anotação
Inspirado num miniconto de Carla Dias A Michele
Conheci esta mulher precisa. Não alcançava ser mais nem menos, a exatidão, e então era assim, finalmente simples, como se todas as costas, as pernas, devessem ter o tamanho que devem, pôr nem tirar, e que a simplicidade tem a métrica da justeza, o escopo de se encerrar em seu espaço, que não é senão o necessário. Então é que incompletude almeja a plenitude e se conseguir, o homem, a mulher, e a teia mais trançada que um beijo consegue tricotar.
-- publicado em Quinta-feira, Agosto 14, 2003, às 7:43:41 PM
... A revolta
Quase o senti carcomendo a vaga pausa entre dois desconcertos simultâneos, se a áurea de pastos cobrisse sua mudez com o charco das daninhas, o simulacro dessas auroras cobradas, ou o antidepressivo, e refletisse que venceria o salto entre sua mãe e seu pai, e quase entornei a desgraça encapsulada nos barbitúricos para curar a verdade lambuzada de boatos, e outrora, ciente da metamorfose, contou os tufos de batom e experimentou a astúcia dessa marca renhida, e quase. Empanturrar a lembrança prévia e entender que o clichê é necessário porque as palavras exatas dizem da maneira mais fácil e assim as repetirão, e quase é um turbilhão de impossibilidades até que tarde demais ou tanto faz.
-- publicado em Domingo, Agosto 10, 2003, às 11:19:48 AM
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