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maio 31, 2002
O ÓBVIO QUE NÃO ULULA
Sou leitor/espectador dos mais desatentos. Incapaz de, apesar das pistas mais explícitas em todo o enredo, decifrar antecipadamente o final de filmes como "O Sexto Sentido", ou qualquer livro de Agatha Christie ou Raymond Chandler. Há uma virtude nisso: sou surpreendido, genuinamente, pelas reviravoltas e turning points de uma trama que seja mais ou menos engendrada. Como em uma das seqüências mais belas que já fruí nos últimos tempos: a série autobiográfica de posts publicada por sweethell em seu blog pessoal. Não recomendo, entretanto, que o internauta imberbe visite sua página do modo usual: como todo navegante com um mínimo de experiência sabe, weblogs têm os seus posts publicados do fim para o começo. Aos novos leitores que quiserem se surpreender (ou não), recomendo a leitura da série em sua devida ordem cronológica: I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX. Depois, me confirmem: sou ou não um mestre em desaperceber o óbvio à minha frente?
escrito por Alexandre Inagaki, às 12:44:33 AM.

maio 14, 2002
Dirás que sonho o dementado sonho de um poeta Se digo que me vi em outras vidas Entre claustros, pássaros, de marfim uns barcos? Dirás que sonho uma rainha persa Se digo que me vi dolente e inaudita Entre amoras negras, nêsperas, sempre-vivas? Mas não. Alguém gritava: acorda, acorda Vida. E se te digo que estavas a meu lado E eloqüente e amante e de palavras ávido Dirás que menti? Mas não. Alguém gritava: Palavras... apenas sons e areia. Acorda. Acorda Vida.
Hilda Hilst
escrito por Suzi Hong, às 7:39:00 PM.

maio 12, 2002
LISTAS QUE SE PREZAM...
... contêm injustiças e esquecimentos de lascar, e olha que nem estou falando dos convocados da Seleção Brasileira. Pois vocês viram a lista dos 100 maiores livros de todos os tempos, publicada pelo jornal inglês The Guardian? Uma virtude desse levantamento foi a distribuição geográfica dos leitores: escritores distribuídos por 54 países, incluindo nomes como Salman Rushdie, Norman Mailer, Carlos Fuentes e Doris Lessing. Deu zebra no livro escolhido como o melhor da história: "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes - bateu pesos-pesados como Shakespeare, Homero, Kafka e Tolstói. Pois oras, não é que tem até livro brasileiro na parada? O solitário representante tupiniquim é "Grande Sertão: Veredas" (The Devil to Pay in the Backlands" na tradução inglesa), do mestre Guimarães Rosa. A última flor do Lácio emplacou outras duas obras na lista: "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, e "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago. Mas voltando ao subject deste post: lista que se preza tem que ter injustiças. E aí pergunto a vocês: quais foram as maiores ausências desse levantamento? IMHO, aponto como grandes lacunas: a poesia completa de T. S. Eliot, "As Afinidades Eletivas" (Goethe), "O Jogo da Amarelinha" (Júlio Cortázar), "Vida - Modo de Usar" (Georges Perec), "O Deserto dos Tártaros" (Dino Buzatti) e "Dom Casmurro" (Machado de Assis). A propósito: a matéria do The Guardian está disponível aqui.
escrito por Alexandre Inagaki, às 8:19:03 PM.

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