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abril 30, 2002
DIREITA
Se o Silvio Santos ganhasse, será que teríamos um governo à la Berlusconi?
escrito por Ian Black, às 4:20:42 AM.

abril 26, 2002
PRESENTE!
Respondendo à chamada: presente!
Não vinha escrevendo nada na logopeia porque uma crise criativa insiste em inibir meus pensamentos.
Okay, vamos falar da França. Andei lendo no jornal de hoje algumas das medidas que Le Pen tomaria se fosse eleito. Dentre elas, o restabelecimento da pena de morte para crimes graves, a preferência de emprego para o trabalhador francês, e a devolução para seus países de imigrantes ilegais ou desempregados.
Depois de Áustria e Itália, a França mostra sinais da derrocada dos partidos de esquerda europeus. Parece-me que só o Tony Blair na Inglaterra se safa no velho continente.
Por falar em esquerda, será que o Lula vai usar em sua campanha o encontro que teve com Jospin? Êta pé frio...
escrito por Suzi Hong, às 10:44:11 AM.

Você esqueceu de mencionar o triste episódio ocorrido com o seu texto "A MORTALIDADE DO AMOR"....
escrito por Ian Black, às 8:43:45 AM.

abril 24, 2002
DAS ESTRANHAS RELAÇÕES ENTRE LITERATURA E BARRACAS DE CAMELÔ
Um dos problemas de se publicar textos Web afora está na facilidade com que pessoas dão copy-and-paste neles a torto e a direito, muitas vezes apropriando-se da paternidade de filhos que foram paridos à base de muita elucubração e rascunhos intermináveis. Se é má fé ou lapso do responsável pelos forwards, não importa: o estrago é o mesmo e custa a ser reparado.
De qualquer modo, o "fenômeno" é antigo, e a Internet apenas ampliou o alcance dessas falsas autorias de textos. O exemplo mais conhecido é o poema de Nadine Stair Instantes ("Se eu pudesse viver novamente a minha vida/ Na próxima trataria de cometer mais erros"), que é insistentemente atribuído a Jorge Luis Borges. O imbróglio chegou a tal ponto que obrigou a viúva de Borges, Maria Kodama, a manifestar-se oficialmente na Justiça, alertando que os direitos autorais dos versos pertenciam a Stair, que compôs tais versos aos 85 anos de idade (à beira da morte, como o próprio poema sugere).
Outro caso notório é o de No Caminho com Maiakóvski, creditado erroneamente ao próprio Maiakóvski ou a Bertold Brecht, e que na realidade saiu da pena de Eduardo Alves da Costa. Lamentável logro, por dar a César o que não é de César (no caso, os créditos de um poema genuinamente bom).
Episódio tão lamentável quanto é o crédito falso dado a textos repletos de chavões e/ou erros de português. Arnaldo Jabor é uma das vítimas mais conhecidas dessa contramão de autorias, como comprova o caso de uma crônica sobre o Big Brother Brasil que anda sendo espalhada por Outlooks e Eudoras alheios, intitulada "Faz Parte!!". Do mesmo modo, quantas vezes não recebi versos supostamente escritos por Clarice Lispector?
Há ainda os casos de escritores amadores que cometem certos textos e propositadamente os atribuem a autores já conhecidos - Luis Fernando Veríssimo é a vítima mais notória desses procedimentos. Como certos fabricantes made in Paraguai, que produzem tênis Mike, pilhas Dubacell e calças Fóbum, distribuindo-os nas melhores barracas de camelô do ramo. José Nêumanne dá como exemplo a história de um certo Undurraga, que misturava versos de Pablo Neruda com editoriais do jornal cubano Granma, e conseguia espaço para publicação em revistas especializadas.
Este mundo, definitivamente, não é para inocentes.
escrito por Alexandre Inagaki, às 9:50:59 PM.

abril 22, 2002
MEU NOME É LE PEN!!!
Depois da Itália ter cometido a bobagem que foi eleger Berlusconi (um amálgama de Silvio Santos com Plínio Salgado), agora foi a vez de a França fazer merda e pôr Jean-Marie Le Pen, representante xenófobo da extrema direita, no segundo turno de suas eleições presidenciais. Só falta o Brasil incorrer na mania imbecil de imitar o "Primeiro Mundo", e eleger Enéas ou Garotinho.
Que MEDA.
escrito por Alexandre Inagaki, às 7:37:24 PM.

abril 20, 2002
BLAME IT ON MICHEL
"Uma vez estive em São Paulo: foi lá que a evolução chegou ao seu ponto máximo. Aquilo não é mais uma cidade, é um território urbano que se estende a perder de vista, com favelas, gigantescos edifícios de escritórios e residências de luxo cercadas de guardas armados até os dentes. São mais de 20 milhões de habitantes, muitos dos quais nascem, vivem e morrem sem nunca sair dos limites do seu território. As ruas são muito perigosas, mesmo de carro a gente corre o risco de ser assaltado no sinal vermelho ou perseguido por uma quadrilha motorizada: as mais equipadas têm até metralhadoras e lança-foguetes. Para se deslocar os homens de negócios e as pessoas ricas utilizam quase exclusivamente o helicóptero; há locais de pouso por toda a parte, no topo dos prédios de bancos e dos imóveis residenciais. No nível do solo, a rua é território dos pobres - e dos bandidos".
Com exceção da parte dos lança-foguetes, pode-se dizer que esta é uma excelente descrição de Sampa City, ainda mais por ter sido escrita por um francês que afirma não ter passado mais do que algumas horas por aqui. Está no romance Plataforma, de Michel Houellebecq, escritor entrevistado pela Folha na edição deste sábado. O mote do livro: turismo sexual (essa os Simpsons esqueceram de sacanear).
escrito por Alexandre Inagaki, às 7:31:00 AM.

abril 19, 2002
O HORROR, O HORROR
Você já imaginou a bunda da Clarah Averbuck caindo em cima de você? Eu sonhei com isto, e minha opinião é o título acima.
escrito por Ian Black, às 7:33:26 AM.

A MORTE DE ALEXANDRE INAGAKI
Por alguns momentos não tive certeza de coisa alguma. Mas a mocinha que é a cara da Dido contribuiu, apática. A embalagem de camisinha fechada indicava que o moço não fora violado ou sofrera um enfarto durante o sexo como acontece com os velhos das novelas e cinema. Coloquei dois dedos em seu pescoço e vi que não respirava, e os olhos e bocas abertos. Fechei os olhos e já então as pessoas aos montes apareceram naquela garagem suja da casa do meu tio. Depois das primeiras tentativas de reanima-lo, o nosso herói consegue tossir, um sinal de esperança. Então intensificamos a massagem cardiorespiratória, e Mr. Inagaki tosse mais algumas vezes e consegue escapar da luz branca para a qual ele estava rumando.
escrito por Ian Black, às 7:32:14 AM.

abril 18, 2002
SLOW MOTION
Meu carro não tem airbag Minha tv não tem cnn Minha rua não tem 7-eleven Minha banca de jornal tem rolling stone melody maker le monde der spiegel hustler Meu computador requer um upgrade Meu modem queimou com a tempestade Meu gol de placa não teve replay em slow motion
Não sei falar alemão Não sei falar italiano De japonês só sayonara sony mitsubishi sushi origami My english is so fucking bad stinks like teen spirit but i’m a creep, i’m a loser, baby You know what i’m saying?
A competição é acirrada Cada igual meu rival Ninfetas usam cinta-liga Pirralhos usam anabolizantes Computadores jogam xadrez Minhas gengivas sangram
Eu dei o sinal para o táxi parar Fui ignorado solenemente Mas quem haverá de ignorar El Niño?
Tenho medo de me sentir deslocado e não me encaixar neste quebra-cabeças nesta era de progressos, consenso multiplicação de riquezas:
aos trinta anos ser um velho decrépito defasado para o mercado
Membro excedente quiçá reaproveitável para a sociedade: gandula entregador de pizzas guardador de carros atendente de disque-sexo ufólogo vendedor de rim cyber-anjo cabalístico paparazzi (capitalismo kamikaze)
Quem precisa de atentados terroristas Quem precisa de blocos econômicos Quem precisa de clones Quem precisa de ecstasy Quem precisa de ideologias Quem precisa de multimídia Quem precisa de neonazistas Quem precisa de propaganda Quem precisa de reengenharia de custos Quem precisa de seitas apocalípticas para mudar o mundo?
Hoje acordei às quatro da manhã lembrei do que sonhei mas logo me esqueci Acordei e estranhei a luz da aurora Acordei atrasado Enquanto mais uma vez ligou a instituição de caridade solicitando colaboração mínima indispensável deduzível do imposto de renda
Aldeia global Economia de mercados Um cartão de crédito e um mouse nas mãos Quem precisa Quem deseja Mudar o mundo?
Olhe para os mendigos e finja ter dó Minha vista está ferida pela luz do sol Veja cada imagem com a habitual desatenção Sinta certeza em minhas contradições
Imagine todas as pessoas Vivendo pela paz Você pode dizer que eu sou um idiota Mas eu não sou o único
Imagine que não haja mais fronteiras Sem religiões, sem nacionalidades Você pode imaginar? Você não pode imaginar.
E este medo me dói me machuca me tira o sono ah, este gargalo estreito, ah, este gargalo estreito.
Enquanto sentado na frente do computador eu vejo torradeiras voadoras no meu monitor.
escrito por Alexandre Inagaki, às 9:37:43 PM.

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