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janeiro 29, 2002
THIS IS THE END
O jornal Primeira Hora encerra nesta quarta-feira (30) suas atividades. Quinta-feira (31) será publicada a última edição deste natimorto hebdomadário.
Foi bom enquanto durou.
Ça c'est.
escrito por Ricardo Sabbag, às 9:27:02 AM.

SOMETHING'S WRONG
Uma das coisas mais chatas em matéria de weblogs é que seus escritores costumam contar todos os problemas técnicos que estão tendo.
Seja como for, lá vai: há semanas acesso a página da logopeia. e só vejo posts velhos. Hoje, compareci ao Blogger só - por assim dizer - para tirar a pulga atrás da orelha (TO TAKE THE FLEA OFF THE EAR'S BEHIND) e vi alguns postos novos, incluindo um que eu tinha postado há muito tempo.
Cliquei em 'view web page' e, para minha surpresa, a página abriu novamente com os posts velhos.
O que diabos está havendo?
escrito por Ricardo Sabbag, às 9:19:26 AM.

janeiro 18, 2002
OBRAS DOENTES
Naquele livro de entrevistas que François Truffaut realizou com Alfred Hitchcock (editado pela sumida Brasiliense), encontrei o conceito de "grandes filmes doentes". Que, segundo a explicação truffautiana, serve para qualificar as obras-primas abortadas, os empreendimentos ambiciosos que sofreram de erros de percurso; filmes que não chegaram ao quilate de obras incontestes devido a castings equivocados, enorme defasagem entre a intenção e a execução, sets de filmagem envenenados pelo ódio ou cegados pelo amor. Transpondo esse conceito para os livros, sempre penso em Ítalo Calvino como o exemplo perfeito de "grande literatura doente". Li duas obras do Calvino, As Cidades Invisíveis e Se um Viajante Numa Noite de Inverno..., e ambas me propiciaram o mesmo sentimento: livros que poderiam ter atingido a perfeição, mas não o fizeram por fatores vários. Um desvio no percurso original, a discrepância entre a ambição artística e a realização em si, um começo genial com desfecho muito aquém, ou a fome do "make it new" poundiano, e do fantasma joyceano prejudicando a fluência simples das narrativas. By the way: gosto muito dos escritores modernos (Eliot, Woolf, Pirandello, Kafka, Borges, Lorca, Cortázar), mas ao mesmo tempo lamento que o furacão por eles catalisado tenha restringido a produção de narrativas menos "desconstrutivistas", "intertextuais", intelectualizadas e/ou ambiciosas dos grandes contadores de histórias, como Jack London, Stephen Crane e Robert Louis Stevenson. E assim, fica o gosto da "vida que poderia ter sido mas não o foi". Se o restante de Se um Viajante... fosse tão interessante quanto o trecho inicial a seguir... Entretanto, o livro parece aqueles longas-metragens que, se tivessem sido filmados como curtas, seriam brilhantes - como piadas que perdem o gosto quando esticadas. "Já na vitrine da livraria, identificou a capa com o título que procurava. Seguindo esta pista visual, você abriu caminho na loja, através da densa barreira dos Livros Que Você Não Leu que, das mesas e prateleiras, olham-no de esguelha tentando intimidá-lo. Mas você sabe que não deve deixar-se impressionar, pois estão distribuídos por hectares e mais hectares os Livros Cuja Leitura É Dispensável, os Livros Para Outros Usos Que Não a Leitura, os Livros Já Lidos Sem Que Seja Necessário Abri-los, pertencentes que são à categoria dos Livros Já Lidos Antes Mesmo De Terem Sido Escritos. Assim, após você ter superado a primeira linha de defesas, eis que cai sobre sua pessoa a infantaria dos Livros Que, Se Você Tivesse Mais Vidas Para Viver, Certamente Leria de Boa Vontade, Mas Infelizmente Os Dias Que Lhe Restam Para Viver Não São Tantos Assim. Com movimentos rápidos, você os deixa para trás e atravessa as falanges dos Livros Que Tem A Intenção De Ler Mas Antes Deve Ler Outros, dos Livros Demasiado Caros Que Podem Esperar Para Ser Comprados Quando Forem Revendidos Pela Metade do Preço, dos Livros Idem Que Poderia Pedir Emprestados A Alguém, dos Livros Que Todo Mundo Leu E É Como Se Você Também Os Tivesse Lido. Esquivando-se de tais assaltos, você alcança as torres do fortim, onde ainda resistem os Livros Que Há Tempos Você Pretende Ler, os Livros Que Procurou Durante Vários Anos Sem Ter Encontrado, os Livros Que Dizem Respeito A Algo Que O Ocupa Neste Momento, os Livros Que Deseja Adquirir Para Ter Por Perto Em Qualquer Circunstância, os Livros Que Gostaria De Separar Para Ler Neste Verão, os Livros Que Lhe Faltam Para Colocar Ao Lado De Outros Em Sua Estante, os Livros Que De Repente Lhe Inspiram Uma Curiosidade Frenética E Não Claramente Justificada.
Bom, foi enfim possível reduzir o número ilimitado de forças em campo a um conjunto certamente muito grande, conquanto calculável num número finito, embora esse alívio relativo seja solapado pelas emboscadas dos Livros Que Você Leu Há Muito Tempo E Que Já Seria Hora De Reler e dos Livros Que Sempre Fingiu Ter Lido E Que Já Seria Hora De Decidir-se A Lê-los Realmente.
Você se livra com rápidos ziguezagues e, de um salto, penetra na cidadela das Novidades Em Que o Autor Ou O Tema São Atraentes. Uma vez no interior dessa fortaleza, pode abrir brechas entre as fileiras de defensores e dividi-los em Novidades De Autores Ou Temas Já Conhecidos (por você ou por todos) e Novidades de Autores Ou Temas Completamente Desconhecidos (ao menos por você) e definir a atração que eles exercem sobre você segundo suas necessidades e desejos de novidade e não-novidade (da novidade que você busca no não-novo e do não-novo que você busca na novidade).
Tudo isso para dizer que, após ter percorrido rapidamente com o olhar os títulos dos volumes expostos na livraria, você se dirigiu a uma pilha de exemplares recém-impressos de Se um viajante numa noite de inverno, pegou um e o levou ao caixa para ver reconhecido o seu direito de possuí-lo".
P.S.: O mesmo trecho supracitado foi comentado no Boimamu, um dos mais interessantes blogs coletivos da Web tupiniquim.
escrito por Alexandre Inagaki, às 12:41:17 PM.

janeiro 7, 2002
Quem quiser ler o texto que inspirou a mensagem abaixo pode encontrá-lo aqui.
Inagaki, tem uma referência a você.
escrito por Ricardo Sabbag, às 9:42:00 AM.

A QUEM POSSA INTERESSAR
Meu amigo voce e o cumolo do rediculo, caro Ricardo Sabbag, desculpe o meu portugues estou a muito tempo fora do Brasil, nao sou escritor, olha voce pisou no tomate, e por gente como voce que o nosso futebol para o eixo rio spaulo e de time pequeno, o coritiba sem dinheiro se sigurou e nao fez tao feio, o parana clube, ate que foi bem, o Atletico campeao do Brasil, e voce comeca o ano achando que o Atletico pode capengar, porra ou voce e louco, idiota ou comeu merda quando nasceu, voce nao e paulista?, O FUTEBOL PARANAENSE NAO PRECISA DE VOCE, PRECISA DE APOIO. [ E MELHOR NAO ESCREVER MAIS]
Carta enviada ao jornal Primeira Hora por Helio.
escrito por Ricardo Sabbag, às 9:39:43 AM.

janeiro 3, 2002
PERSON OF THE YEAR
Não é novidade. A Time elegeu o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, como "homem do ano".
Rudy aproveitou a badalação e fez a transmissão de posse a Michael Bloomberg em pleno réveillon de Times Square. Ali embaixo, milhares explodiam em exaltação ao ver o multimilionário chorando de emoção.
Eram lágrimas verdadeiras. A festa deveria estar bonita e mesmo para um homem poderoso como Bloomberg ter o aval dos novaiorquinos para assumir o controle de uma cidade desgastada é um feito a se comemorar.
Giuliani ganhou o título da Time e a simpatia do eleitorado quando vestiu jaqueta e boné dos bombeiros de NY e subiu nos escombros do WTC para ver o tamanho da catástrofe. Foi ainda mais aplaudido quando pediu 6 mil sacos extra para embalar os mortos do acidente de 11 de setembro. Ele não estava sendo catastrofista. Era um "acidente" que ninguém jamais previu, e seu realismo frio sobre a panacéia que Manhattan havia se transformado era visto como a atitude digna de um estadista.
Mas não faz mal lembrar que pouco tempo antes do incidente Rudy era totalmente execrado pela maioria dos novaiorquinos. Nas eleições, largou mão da disputa pelo senado e deixou o caminho aberto para Hillary, a rainha das feministas obedientes.
Não foi uma ou duas vezes em que eu vi Rudy ser sonoramente vaiado ao posar sorridente nas famosas "parades" americanas. O que ele havia feito? Nada de mais. Sempre foi visto como antipático. Elegeu-se prometendo cortar pelo meio o índice de criminalidade na cidade. E isso ele fez.
Tentava ganhar em popularidade com métodos pouco ortodoxos. Chegou a se vestir de mulher; participou do Saturday Night Live interpretando a si mesmo - como uma caricatura; trocou a mulher por uma assessora.
Mas só caiu nas graças do povo quando apareceu chorando ao ver o monte de pó que cobriu a ilha novaiorquina.
***
Apesar do mau humor inicial, as táticas de Giuliani foram seguidas (para não dizer imitadas) de perto por seus admiradores. Por aqui, Maluf repetia ipsis litteris seu discurso sobre a violência. Recentemente, vimos FHC e Garotinho vestindo jaquetões para visitar as vítimas das enchentes no Rio de Janeiro.
Ambos estão atrás de urgente popularidade. O primeiro, já pensando na imagem que vai deixar como o presidente que levou o Brasil à "estabilização econômica". O segundo, tentando angariar votos para a eleição que sucederá - vejam só - o primeiro.
Seria cômico se não fosse trágico.
escrito por Ricardo Sabbag, às 3:15:45 PM.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
O início do século XXI deverá ser lembrado não por um tempo de mudanças tecnológicas (essas vão constar para o fim dos anos 90), mas pela guerra de grandes proporções travada na Ásia.
É uma guerra mundial, em que estão envolvidas as maiores potências militares do mundo - Israel é ali do lado - e, eminentemente, envolvidas religiões ancestrais. Religiões que vieram resolver suas diferenças só hoje.
Nessa guerra moderna, prevalece um discurso antigo, que lembra os tempos da guerra fria - o da restauração da democracia.
Hoje, Bush convidou o presidente da recém instaurada democracia afegã, Hamid Karzai, a visitar Washington e trocar figurinhas.
Há um ano, era inimaginável pensar no Afeganistão como uma república governada por um homem sem ligações com o Taliban. Era o regime fundamentalista mais fechado do mundo. E até que as torres despencassem em Nova York, ninguém dizia nada sobre isso. Era uma questão cultural.
Mas as torres despencaram, e os Estados Unidos se viram humilhados pela queda de um de seus maiores ícones. Nas ruas, a população clamava por vingança.
A vingança promovida pelo republicano Bush foi derrubar à base de bombardeios o Taliban. Restaurar a democracia. Sem esquecer que o próprio Taliban só era o que era graças ao financiamento americano na luta contra os soviéticos - justamente durante a Guerra Fria.
A grande liderança mundial só veio a defender valores democráticos quando alguém pisou na flor do seu quintal.
***
Enquanto isso, ali do lado, Índia e Paquistão se ameaçam com armas atômicas na disputa pela Caxemira.
Não me surpreenderia se Bush, em seu rompante justiceiro, aproveitasse as tropas que estão zanzando por ali por causa da guerra contra o "terrorismo" para dar um jeito na pendenga. Afinal de contas, o presidente paquistanês brincou de roleta russa quando permitiu que os EUA usassem seu espaço aéreo para perseguir Bin Laden. Se a investida americana desse errado (e lembrem que essa era a previsão dos analistas), o Paquistão estaria ferrado - eles traíram o Taliban.
Nada mais justo, então, do que se os EUA dessem uma força ao amigo de ocasião lutando contra a Índia.
Mas, infelizmente, não é de armamento mais pesado que a população daquela região precisa. Se os Estados Unidos vestissem a farda dos "negociadores" (como Clinton fez tantas vezes promovendo apertos de mão entre judeus e palestinos), eles tratariam de não mandar nem uma balinha para lá. É coisa pra se resolver na base da conversa, não importe quanto tempo demore.
E tempo não deve ser problema para Bush, que fala em uma "guerra longa" contra o terrorismo.
Só gostaria que essa longevidade existisse devido a atitudes serenas, e não simplesmente para prolongar um sentimento de êxtase dos americanos ao presidente/coronelão que virou herói ao encampar uma guerra - lição que ele aprendeu com o papai no episódio do golfo pérsico.
***
Enquanto isso, revistas iraquianas (que só funcionam com o aval do governo de Saddam) elegem Bin Laden o "homem do ano".
escrito por Ricardo Sabbag, às 2:54:34 PM.

janeiro 2, 2002
MEUS LUGARES ESCUROS
Ontem o GNT exibiu uma reportagem do 60 Minutes, telerevista da CBS estadunidense. Na matéria, uma entrevista vertiginosa com James Ellroy, autor de Dália Negra, Los Angeles Cidade Proibida e Meus Lugares Escuros, entre outros.
Ellroy, maior e mais famoso romancistas americano do momento, sempre me pareceu um daqueles sujeitos obscuros. Nas contracapas dos livros, imaginava que tipo de sujeito deveria parecer aquele escondido atrás dos pequenos óculos redondos e do chapéu panamá.
O homem não teve vida fácil. Sua mãe foi assassinada quando ele era criança e, durante sua infância e adolescência, ele foi um total delinqüente, com problemas com polícia, drogas e afins.
Era de se esperar, no mínimo, que ele fosse um excêntrico.
Mas o Ellroy que a CBS mostrou era outro. Falador e aparentemente ávido pela publicidade do show mais visto na América do Norte, ele falava sobre seus livros como um vendedor de enciclopédias.
Isso, em princípio, me chateou um pouco, porque eu sempre pensei que o escritor deveria conservar seu ar noir ao público. Tal qual J.D. Salinger, que nunca se deixou fotografar. Escritores deveriam se chatear com as perguntas idiotas dos jornalistas e responder com escárnio a tudo que fosse óbvio.
Mas Ellroy foi me mostrando o contrário. Imagens suas mostravam-no dando palestras a estudantes universitários falando de seus livros como se fossem a oitava maravilha do mundo.
Talvez isso seja um exagero, mas Ellroy é bom no que faz, e é incrível ele não se mostrar afetado pelo que escreveu em Meus Lugares..., em que narra sua busca - 30 anos depois - pelo assassino de sua mãe.
A narração é das melhores do gênero policial, mas o mais assustador é saber que o autor refez - de verdade - os passos que levavam ao crime. Ele reviu fotos, tocou em roupas, procurou o culpado... e escreveu sobre tudo. Ele deixou como legado muito de si. Citando Somerset Maugham, "todo escritor deixa um pouco de si em cada livro".
Na entrevista, Ellroy conta que trabalhava como caddie (aquele ajudante dos golfistas) aos 30 anos e um belo dia olhou para os céus e pediu que Deus (outra contradição, do meu ponto de vista) deixasse que ele escrevesse o romance que tinha na cabeça.
Pronto. Como um passe de mágica, ele escreveu sua primeira novela, que o catapultou ao sucesso.
No fim, ele ainda diz que se cada candidato a escritor tiver tempo suficiente para refletir e muita vontade de escrever para dar o melhor de si, o sucesso é garantido. Simples assim.
Escrever é 80% um trabalho braçal. Qualquer pensamento genial se debate à dificuldade de traduzir-se em letras. Então não é difícil imaginar um homem espevitado como Ellroy guardar grande parte do seu dia para o pensamento e o resto para o trabalho duro. Mesmo aquele avô do grilo verde soube vencer na vida. Por que eu não poderia?
escrito por Ricardo Sabbag, às 3:02:45 PM.

MEA CULPA
O fato de não conseguir escrever com regularidade e trazer temas de interesse público à logopeia. me cataloga no rol dos maus blogueiros. Por isso, evito chamar atenção pra cá. Blogs desatualizados dão no saco, e prefiro que a pessoa (leitor eventual) encontre aqui coisas interessantes nas esporádicas vezes que resolver dar uma passada por esse endereço do que se vier todo santo dia e ficar com os cornos cheios por não encontrar atualizações diárias.
Dei uma busca nas palavras "ricardo sabbag" no Google e achei muita coisa velha que eu escrevi e, caso raro, que haviam escrito sobre mim. Muito daquilo já não representa mais quem eu sou, ou o tipo de coisa que me interesso a escrever. A maioria delas, infelizmente, não tenho controle para tirar do ar e impedir que pessoas se "informem" sobre mim.
Gostaria de poder editar muita coisa do que está escrito com o meu nome. Por isso, fico tranqüilo em enviar textos quase verborrágicos para cá. No dia que eu achar que tudo está errado, volto e apago as marcas do passado. O lance, então, é aproveitar enquanto é possível.
Certa vez vi uma entrevista em que uma escritora (não lembro qual) dizia ter renegado a primeira metade de sua obra, exigindo que a editora não publicasse mais nada daquilo e que aqueles livros fossem tirados de sua biografia.
É uma tentativa débil de se livrar do passado, ao mesmo tempo que deve ter sido a única maneira encontrada por ela de não passar mais vergonha.
Mas a vida é assim mesmo. A gente vive dizendo coisa da qual se arrepende. Talvez revisitar esses lugares - nem tão escuros assim - seja uma maneira de se conhecer quem fomos (em oposição a quem somos).
escrito por Ricardo Sabbag, às 2:33:25 PM.

AQUI JAZ
Ando acompanhando alguns blogs e percebo que muitos deles estão morrendo. Alguns simplesmente desaparecem, sem deixar vestígios. Outros vão depois de algum discurso de seus criadores. Enfim, depois da superpopulação, a febre passa e fica quem realmente tem interesse naquilo.
O exercício do weblog é uma algo que depende de dedicação e informação. Mais fácil a quem é afeito às coisas da informática e que arranja tempo para escrever alguma coisa interessante. A quem não tem um texto minimamente palatável ou é pobre de assunto, não há santo que faça sobreviver. O blog, afinal de contas, não é brinquedo para criança, mas uma ferramenta útil a quem sabe aproveitar seu formato quadradão.
José Vicente disse uma coisa interessante, anotada pelo Inagaki no Spam. Que a maior parte das colunas jornalísticas poderia ser escrita por qualquer cidadão medianamente informado.
Ele está certo, e isso poderia ser a regra - que os jornais contratassem as pessoas pelo o que elas escrevem e não pelos seus títulos. Muito provavelmente o nível do que é publicado aumentaria. E, enquanto isso não acontece, recorremos à internet.
De qualquer modo, não concordo com a decisão da Justiça de São Paulo que desobriga o diploma para jornalistas. Liberdade de expressão e capacidade de escrever são para poucos (e nem todo jornalista soma essas "qualidades"), e isso deveria e poderia mudar. Mas ignorar que funções jornalísticas mereçam o devido treinamento é ridículo. Escrever por escrever qualquer um pode (poucos com qualidade). Executar funções que exigem não somente a faculdade de escrever depende, também, de treinamento.
escrito por Ricardo Sabbag, às 2:25:54 PM.

Pé direito
Para começar bem os posts de 2002, tomo emprestados os versos da mestra Hilda Hilst. Feliz Ano Novo a todos os incautos leitores deste blog ocasionalmente atualizado e esporadicamente revivido de acordo com os humores destes que vos escrevem.
"Tenho medo de ti e deste amor Que à noite se transforma em verso e rima. E o medo de te amar, meu triste amor, Afasta o que aos meus olhos aproxima. Conheço as conveniências da retina. Muita coisa aprendi dos seus afetos: Melhor colher os frutos na vindima Que buscá-los em vão pelos desertos. Melhor a solidão. Melhor ainda Enlouquecendo os meus olhos, o escuro, Que o súbito clarão de aurora vinda Silenciosa dos vãos de um alto muro. Melhor é não te ver. Antes ainda Esquecer de que existe amor tão puro".
escrito por Alexandre Inagaki, às 2:24:16 PM.

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