dezembro 12, 2001

Palavra de quem entende do assunto

"Popular é poder cantar sem ter que cumprir estilo... A música purifica a alma, alimenta o ego, eterniza a vida"...
(Elymar Santos)
escrito por Alexandre Inagaki, às 5:06:38 PM.

Sem medo de ser feliz

Acredito que eu, você e o Andrioli daríamos um excelente Trio Parada Dura. Embora deva ressaltar que eu faço questão de só assassinar pérolas do cancioneiro sertanejo ou sambrega tupiniquim. Para exorcizar meus demônios interiores, subo no palco de um videokê e vou de Só Pra Contrariar ("Tô fazendo amor com outra pessoa/ Mas meu coração/ Vai ser pra sempre teeeeeeeu"), Roupa Nova ("Eu te amo/ E vou gritar pra todo mundo ouvir") ou o melhor de todos: Zezé di Camargo & Luciano ("Eu não faço amor por fazer/ Tem que ser muito mais que prazer"). Canções, enfim, que valorizo pela capacidade de exprimirem nossos sentimentos mais ulteriores da maneira mais despojada e deslavada possível. Ou seja, dispensando quaisquer firulas metafóricas. Como quando a gente senta num barzinho pra falar besteira. Ou, para usar um exemplo mais à mão, como quando o Supla e o Alexandre Frota trocam "idéias".
escrito por Alexandre Inagaki, às 5:03:43 PM.

Words words swords

Já me disseram algumas vezes que eu deveria criar o meu blog. No way. Não tenho saco, pachorra, disciplina e/ou tampouco coisas interessantes a se escrever diariamente. Idiossincrasias da minha personalidade, e do meu jeito lurker de ser. Felizmente, há bastante coisa boa para se ler aqui, ali e mais acolá, só para citar alguns exemplos em meu bookmark. Pena que são exceções à regra.

Humberto Gessinger, na época em que ainda compunha músicas palatáveis, e MUITO antes de cair na infindável repetição repetitiva de aliterações vazias do tipo "paralelas que se cruzam em Belém do Pará", sintetizou bem o que eu penso sobre a maioria dos sites que pululam por aí: "Eu presto atenção no que eles dizem/ Mas eles não dizem nada".
escrito por Alexandre Inagaki, às 4:27:16 PM.

dezembro 9, 2001

É engraçado ler o Blogus, do Gustavo de Almeida. A sensação que eu tive é que ele estava, literalmente, do outro lado do espelho. De plantão - como eu; vendo o jogo - como eu; e torcendo pelo Fluminense.

Bem, não posso afirmar que estava torcendo pelo Fluminense. O que houve por aqui é coisa grande.

Mas, de um jeito ou de outro, me senti correspondido.

Fico pensando qual seria a matéria diferente que ele estava guardando. Até dei uma zoiada no Lance!
escrito por Ricardo Sabbag, às 2:28:59 PM.

I wonder if Ciça reads this.
escrito por Ricardo Sabbag, às 2:17:49 PM.

Auster

Estou lendo Da mão para a boca, do escritor/poeta/tradutor/roteirista/diretor americano Paul Auster.

É o terceiro livro dele que tenho em mãos, e cada vez acredito mais que ele seja o grande autor dos novos tempos.

Em Da mão..., Auster escrever sobre seu início. Não à toa, o subtítulo do livro é "crônica de um fracasso inicial".

É interessante perceber os modos com o qual um sujeito tão genial como o Auster viveu em seus primeiros anos. Faz sonhar que, para escrever como ele, não é preciso grande coisa.

Diria que, para ser grande escritor, talvez a fórmula fosse a sensibilidade. Mas de sensíveis o mundo está cheio e a literatura não é melhor por causa deles.

O maior problema com os leitores é que eles não têm referências. Senti isso ao ler Olhos de Madeira, de Carlo Ginzburg.

Auster, quando tinha seus 18 anos, se encerrave em bibliotecas lendo tudo o que dava. Não à toa seus livros remetem sempre a outros grandes autores. Às vezes até a van Gogh.

Deu no P.O. que brasileiro lê, mas não entende o que leu. Entre 32 países, o Brasil é o pior no quesito entendimento de textos.

E depois o Paulo Renato aparece na tevê dizendo que a Bolsa Escola paga quinzão para a família que tiver seu filho matriculado na escola pública. Cheers, ministro.
escrito por Ricardo Sabbag, às 2:09:08 PM.

Ludopédio

Anyhow, o Atlético chegou à final do Campeonato Brasileiro.

Desejo sorte. Que levem o caneco. Mas depois de ganhar do São Caetano não quero saber de encheção de saco porque o Coxa foi campeão em cima do Bangu.
escrito por Ricardo Sabbag, às 1:54:57 PM.

dezembro 7, 2001

Como é que posta imagem nessa bagaça?
escrito por Ricardo Sabbag, às 10:15:11 AM.

Blogar é uma experiência quase monóloga, monástica às vezes. Não sei se me daria bem em um blog solitário. Muito provavelmente, me sentiria falando para o espelho, e isso me deixaria incomodado.

Mas é exatamente por isso que não me espanta saber que tanta gente usa o blog como uma forma de expurgar seus demônios, tal qual um processo autoterapêutico.

De qualquer modo, descobri que os blogs mais interessantes são aqueles que, de uma maneira ou de outra, falam sobre algo. Os que mais me irritam são aqueles em que você só lê um bando de piada interna. E, sempre, em se tratando de palavra escrita, um texto minimamente bem resolvido é essencial.

Mas longe de mim querer criticar qualquer coisa. Fico feliz que as pessoas usufruam da internet como meio de aprimorar a comunicação entre si.

***

Ainda que tudo seja frio, muito frio.
escrito por Ricardo Sabbag, às 10:10:34 AM.

Mais do mesmo

Lembrando outras...

"Na cama/ o lençol manchado/ revelava o fato consumado" (Não sei de qual grupo de pagode)

"Seu popô no meu pipi/ meu pipi no seu popô/ Popô, pipi/ Pipi, popô" (Serginho Mallandro)

"Quando gira o mundo/ e alguém chega ao fundo/ de um ser humano/ Há uma estrela à solta/ pelo céu da boca/ quando diz "te amo"/ e uma esperança corre solta pela madrugada" (Fábio Jr.)
escrito por Ricardo Sabbag, às 10:05:11 AM.

Sugiro fazermos um top ten do cancioneiro macho canalha brasileiro.
escrito por Ricardo Sabbag, às 10:00:26 AM.

Puerra, Inagaki, vou te dizer. Essa canção do Barros de Alencar me fez lembrar da minha preferida do Tim Maia, que, não obstante, se chama Telefone. Não sei se você conhece. É mais ou menos assim:

"TIM: Alô, quem fala?

SENSUAL VOZ FEMININA: Sou eu amor. Não lembra mais de mim:?

TIM: Mas a essa hora da madrugada?

SENSUAL VOZ FEMININA: É que eu precisava muito falar com você.

TIM: Quatro horas da manhã...

SENSUAL VOZ FEMININA: Eu sei. Mas eu preciso te ver. Eu preciso de você!

TIM (canta): Eu bem que te avisei! pra não levar à sério/ o nosso caso de amor/ eu sempre fui sincero e você sabe muito bem/ eu não te prometi/ Nada... (backing vocal)..."

Certamente ela é muito mais interessante quando cantada por mim e pelo Andrioli às cinco da manhã no caraoquê mais sujo da cidade depois de algumas Millers.
escrito por Ricardo Sabbag, às 9:58:41 AM.

dezembro 6, 2001

Inspirado pelo Top "10 trechos sobre amor que eu acho mais bregas em música", postado pelo graaaaande Gustavo de Almeida em seu Blogus, eis a minha singela lista de pérolas românticas no cancioneiro tupiniquim:

1 - "O amor é um bichinho/ Que rói rói rói/ Rói o coração da gente/ E dói dói dói" (Carmen Silva)

2 - "Azul/ A nossa lua azul/ Que faz a gente se olhar/ E ter vontade de amar" (Jane & Herondy, em uma versão inolvidável de Blue Moon)

3 - Essa é demais: Barros de Alencar simulando uma conversa telefônica na inacreditável canção Apenas Três Minutos, composto por ele mesmo: "Alô?/ Oi, sou eu/ Por favor, não desligue/ Escute, estou num telefone de rua/ Já é tarde e a linha pode cair/ Eu tenho apenas três minutos para dizer que não posso viver sem você/Pra dizer que te amo, te amo/ Quando brigamos até parece que fomos levados por uma força estranha/ Acredita nisso?/ Eu sim, mas sejamos mais fortes que ela"

4 - "Repetir o amor já satisfaz/ Dentro do bombom há um licor a mais/ E até que um dia chegue enfim/ Em que o sol derreta, será até o fim/ Do alto coração/ Mais alto coração..." (Biafra em seu hit eterno Sonho de Ícaro)

5 - Essa é de desopilar o fígado: "Eu olho aflita no relógio/ E você não voltou/ Meus nervos fazem ver/ Num sujo quarto de um hotel/ Eu vejo os dois desnudos fazendo amor" (Perla, a legítima paraguaia, em seu momento de Otelo)

6 - "Eu já nem lembro bem/ Da primeira vez que eu dei" (Agora Eu Sei, Kid Abelha)

7 - "Você parece que não quer saber/ Sabendo que me faz sofrer/ Sempre vai com meus amigos na matinê/ Fico em casa me doendo de ciúme a imaginar/ Se no escurinho alguém vai te beijar. No sofá da sala eu ainda tento ver a TV/ Mas eu só penso em você" (Adilson Ramos, na lindja canção Matinê)

8 - "Vem meu ursinho querido/ Meu companheirinho/ Ursinho Pimpão/ Vamos sonhar aventuras/ Voar nas alturas/ Da imaginação/ Como na história em quadrinhos/ Eu sou a Sininho/ Você o Peter Pan/ Vamos fazer nossa festa/ Brincar na floresta/ Ursinho Tarzã/ Enquanto o sono não vem/ Eu sou Chapeuzinho/ Você meu galã" (A Turma do Balão Mágico, em Ursinho Pimpão - tsc tsc, essa Simony nunca me enganou...)

9 - "Eu quero te amar/ Eu quero beijar/ Eu quero apertar/ Eu quero botar/ O meu coração/ Nessa gatinha/ Cheio de emoção/ Let's go!!!" (Sérgio Mallandro, na incrivelmente lírica Vem Fazer Glu-Glu)

10 - "Zetinha, essa saudade me mata/ Zetinha, essa saudade me acaba/ Zetinha, quando eu chegar do norte, quero seu abraço forte/ Juriti e nambu assada/ Só quero nambu, Zetinha/ Só quero nambu, Zetinha/ Só quero nambu, Zetinha" (Recado pra Zetinha, sucesso da mestre dos trocadalhos forrozenses Clemilda)
escrito por Alexandre Inagaki, às 4:19:03 PM.

dezembro 3, 2001

Por onde anda sweethell? Quanta saudade...
escrito por Ricardo Sabbag, às 1:01:09 PM.

Gostaria muito que alguém me explicasse o que é isso. Apareceu em minha caixa postal.
escrito por Ricardo Sabbag, às 12:48:19 PM.

O dia do seu aniversário pode ser algo absolutamente interessante como tedioso. Acordei com esse sentimento. Completar a maioridade teve muita graça, em especial por uma série de outras coisas que aconteceram ao mesmo tempo. Os anos que se acumulam em seqüência não parecem ser lá tão especiais.

Mas tudo bem. Festa é festa e não há nada que cinco doses de rum e três de vodca não façam tornar extremamente agradável.

Presentes? Ahn, fico com o Lavoura Arcaica que ganhei do Ítalo. Amigos por si só sempre trazem alegria. Exceto quando são responsáveis por momentos constrangedores.
escrito por Ricardo Sabbag, às 12:34:26 PM.

Não tenho absolutamente nada contra os Hare Krishna, mas como pode o ser humano atingir o limiar da burrice e definhar em uma cama achando que se alimenta de "luz"?

_ Ela disse que iria fazer fotossíntese_, completou minha prima.

Não sei quem é mais idiota. Se a guria ou a mãe da criança que, coitada, não tem nada a ver com o pato. E ainda vive de comer frutas e cereais.

escrito por Ricardo Sabbag, às 12:29:05 PM.

Ontem, conversava com uma prima minha que estava cuidando de um menino de três anos. A criança era filha de uma amiga dela, que tem 19 anos. Teve o filho com 16, segundo minha matemática inconfiável.

O caso é que o menino é filho de mãe-solteira. Quer dizer, o pai vive por perto, tem a cara do filho, mas não assume. Tudo bem. Para superar o drama, a amiga da minha prima se converteu ao movimento Hare Krishna.

A irmã dessa menina - a tia do guri - também se converteu. E, mergulhando fundo no movimento, foi aos extremos. Agora deu para não comer mais nada. Bebe um copo de água por semana e se alimenta de luz.

_Ela diz que está muito bem. Apenas passa o dia todo com dor de cabeça e não tem forças para sair da cama _ disse minha prima, a respeito dela.

O detalhe é que a mãe da criança está de mudança e vai deixar seu filho, adivinhem com quem, a Hare Krishna que se alimenta de luz.
escrito por Ricardo Sabbag, às 12:26:55 PM.

Antes de mais nada, um comentário pertinente: George Harrison deixou algo perto de US$ 300 milhões de herança para o movimento Hare Krishna.
escrito por Ricardo Sabbag, às 11:58:29 AM.

dezembro 1, 2001

Fessor, presente! Agora Sabbag, conta mais sobre a peça de teatro que você escrevinhou... Que tal se você fosse postando-a aos poucos por aqui?

A propósito: FELIZ ANIVERSÁRIO, cumpadi! Ganhou muito presente?
escrito por Alexandre Inagaki, às 5:04:33 AM.

logopeia
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log(o).
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péia.
Do grego 'poiía' = ato de fazer, criação.

Logopéia.
Weblog coletivo escrito por cinco autores de diferentes partes do Brasil e de diferentes inspirações literárias.

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o ato de pintar as paredes escuras de um quarto vazio com tintas brilhantes.


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