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julho 10, 2001
Sala Vazia
O sol já ia se acumulando pela janela da sala vazia, dando a ela um ar mais lacônico que o usual. Sem desviar os olhos, encarava a beleza triste que parecia desvanecer vagarosamente na minha frente.
- Você não vai dizer nada?
Helena balançou quase imperceptivelmente a cabeça em um "não" relutante, como se implorasse a si mesma que se convencesse do contrário, de que havia muito ainda a ser dito e outros planos seriam feitos no decorrer do tempo. Ainda assim, seu "não" caiu por sobre sua boca de forma tão dolorosa que não pôde ser pronunciado, e ficamos ambas a imaginar o que seria de nós a partir dali.
Ou talvez só eu imaginasse.
O silêncio que se travava entre nós duas não era mais pesado do que a nossa falta de razões: não sabíamos de nada e, de alguma forma, não procurávamos culpados. Uma resignação inaceitável, e portanto contraditória: o que poderíamos fazer uma pela outra, que consolo nos ofereceríamos, se o abandono mútuo não foi mais que a conseqüência do abandono de nós mesmas? Perdidas: não éramos mais o que éramos, um arremedo do que tínhamos sido e um futuro certamente infeliz.
Nem ao menos vi quando Helena se pôs de pé. Escorreguei fracamente ate' a porta do apartamento bem decorado.
Pude ainda vê-la caminhando tendenciosa pelo corredor, sem olhar para trás ou vacilar um passo. Quis que ela parasse por um instante para congelar em minha mente o momento de nossa despedida mais íntimo, e disse:
- Eu amo, Helena...
Mas ela não parou, logo sumiu, eu não sei dizer se ela me escutou. E dela restou-me nada mais que essa dúvida.
escrito por sweethell ., às 1:30:34 PM.

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