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maio 10, 2001
Estar de volta aqui só porque hoje eu me flagrei perguntando a sabe-se lá quem: Por que escrever a ti?
De uma aparente simples pergunta, vieram outras, torrenciais e perturbadoras.
E quando dei conta de que estava sentada frente a ti, percebi que gestos despercebidos de minhas mãos limpavam frenéticos as lágrimas que molhavam o balcão do bar espessas e quentes.
Que coisa optei ser? O antônimo incapaz de perceber meu próprio choro. Todos os prefixos in-a-contra – um não. Tudo que não quiseste que eu fosse. Toda a palavra que jamais ousaras pronunciar.
Diante da pergunta que te trouxe aqui: Por que escrever se posso ver e falar-te e tocar-te também percebo que, seco o balcão de madeira, escrevo com a ponta do chaveiro em letras talhadas nervosas tudo que nunca consegui ser pra ti.
A ilusão de que palavras talhadas, em madeira molhada e salgada por mim, seriam eternas e sujas e por isso mesmo sinceras durou pouco: o teu tempo impaciente de sorver dois copos de chopp barato e quente.
escrito por Suzi Hong, às 12:14:50 AM.

maio 6, 2001
Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem, eu vou indo correndo Pegar meu lugar no futuro, e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe ...
Quanto tempo... pois é...
Quanto tempo...
Me perdoe a pressa É a alma dos nossos negócios
Oh! Não tem de quê Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona ? Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo talvez nos vejamos Quem sabe ?
Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...)
Tanta coisa que eu tinha a dizer Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso Beber alguma coisa, rapidamente
Pra semana
O sinal ...
Eu espero você
Vai abrir...
Por favor, não esqueça, Adeus...
Sinal Fechado, Paulinho da Viola
[Às vezes uma música diz tudo]
escrito por naomi ., às 4:44:41 PM.

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