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dezembro 31, 2000
31 / 12 / 2000 - 23:50
Vai, falta 10 minutos...
Eu ainda estava terminando de fazer a barba com o chuveiro ligado e lutando para o espelho não embaçar muito. Comecei a deixar o cavanhaque e a costeleta crescerem. Coloquei os óculos de mergulho para não deixar cair xampu nos olhos recem operados.
Vai logo...
******** VOLTANDO NO TEMPO ************
31 / 12 / 2000 - 5:56
Quando acordei
E, então, eu chorei...
"Me, my thoughts are flower strewn ocean storm, bayberry moon. I have got to leave to find my way. Watch the road and memorize this life that pass before my eyes. Nothing is going my way."
Depois desses versos, eu chorei. As lágrimas desceram pela manhã. As ruas ainda estavam escuras e eu estava dentro do ônibus, em direção ao trabalho. Eu tentei disfarçar, fechei os olhos, a mulher ao meu lado não percebia, eu acho. Havia pegado meu discman e coloquei o "Automatic For The People", do R.E.M. pra tocar. Coloquei na faixa número 11, "Nightswimming", ao pular para a faixa 12, "Find The River".
Não, não foram pelas crianças e acho que nem foi a garoa triste que insistia em acabar com o feriado de todo mundo. Chorei por não estar vivendo toda aquela euforia de final de ano. Eu estava totalmente indiferente com tudo o que acontecia a volta, com o clima de mudanças e esperanças de uma nova vida. Chorei por que não me importava se a garoa estragava o feriado. Chorei por estar alheio a tudo aquilo...
Apesar de tudo, eu tomei coragem e fiz uma lista de promessas e espero cumpri-las. Pretendo (entre outras coisas) chorar por amor e trabalhar mais no que gosto, mesmo que não ganhe dinheiro com isso. Tomar vergonha na cara e aprender a tocar violão, assim, poderei compor minhas canções para a minha pretensa paixão.
Fiquei navegando, fiquei à deriva na internet. O telefone quase não tocava, e quando o fazia, eu deixava que o cliente sentir o vazio por alguns segundos, e então desligava.
Voltamos no seu carro e ele perguntou se eu ficaria em casa com meu pai e minha mãe. Ele pediu desculpas quando disse que meu pai já havia falecido há quase 10 anos.
Eu cheguei em casa e resolvi jogar um pouquinho de video game. Meu time, a Lazio, ganhou da Internazionale, de 4 a 2, mas perdeu para a Fiorentina de 3 a 1. Enquanto isso, o telefone tocou e era a Lola. Ela disse que estava gravando uns cds legais para mim, Coldplay, PJ Harvey e outros que eu não deveria ter deixado de escutar em 2000. Perguntou se era brega desejar ano novo. Claro que não. Brega é desejar um feliz natal cheio de paz quando o que queremos dizer é "coma muito peru e beba muita champagne". A Lola entra na minha lista de 5 melhores pessoas que conheci este ano.
Entrei na net e peguei a música de natal do Banco Nacional, aquela do "quero ver voce não chorar...". Peguei um texto bem legal do Shepa, sobre o R.E.M. e vou publicar na proxima edição do Enloucrescendo. Falando, novamente, em R.E.M., redescobri uma página legal do R.E.M. que tem umas traduções com algumas explicações sobre as letras, ótimo.
Depois eu dormi
*********
acordei por volta das 23:10, com meu primo, o William na sala e os fogos que já davam sinais de vida desde o momento em que eu comecei a dormir. Reprogramei o despertador e dormi mais uns 20 minutos. Então fui tomar banho e fazer a barba.
Quando saí do banho, minha mãe já havia descido para a casa da minha avó, onde acontecia a confraternização de quem não havia viajado. Os fogos estalavam lá fora e olhei pela minha janela, junto com meu primo. Era Bagdá no começo da década. Eu já havia me esquecido de como a queima de fogos era legal. Então fiquei com medo. Não me saía da cabeça a idéia de que algum rojão ou qualquer outro daqueles explosivos entrasse pela janela e estourasse nossas cabeças. Enquanto olhávamos os fogos, eu tasquei gel no cabelo e montei um topete e ensaiei um olhar balsé e coloquei minha jaqueta, com meias brancas e sandálias pretas.
Cumprimentei meus tios e avós e primos e desci para abraçar meus vizinhos e amigos. Bebemos Sidra ruim e sem querer, desejei feliz natal para uma garota que passava na rua. Mico Total. Fiquei com preguiça e subi pra casa. Peguei uma champagne vermelha e fiquei bebendo no meu copo de alumínio.
Até agora...
Enfim, este é o começo do ano, feliz ano novo. então, não se arrependa do que faça e faça-o bem.
Ian.
PS.: CENAS DE UM OUTRO EPISÓDIO
Vocês lembram que eu havia ignorado uma garota e suas poesias na Avenida Paulista? Pois bem, na sexta feira, eu entrei num ônibus com um amigo, na paulista, em direção ao Jaguaré. Dentro deste ônibus, entrou uma garota, loira, olhos claros e corpo magro. Trajava saia e uma pasta de desenhos debaixo do braço. Ela sentou-se dois bancos a nossa frente, na outra fileira de bancos. Ela parecia nervosa, e segundo meu amigo, que estava mais próximo, ela escrevia insistentemente NINGUÉM ME AJUDA e VOCÊ ESTÁ AÍ? E eu, burro como sempre, deixei que ela descesse na Lapa sem ao menos falar nada...
PS. do PS.
5 MÚSICAS DE ANO NOVO
. Nowhere Fast - The Smiths . Find The River - R.E.M. . Musiquinha de Natal do Banco Nacional (tem no Napster!!!) . One Armed Scissor - At The Drive In . Canção Da Despedida - Sorry
PS. do PS. do PS
Uma poesia de emergência, recém composta...
O FUTURO
Ian Black
eu pensava que você me conhecia eu sei que não posso julgar-lhe então, eu apenas espero...
eu ainda não sei onde você está tudo bem, eu vou confessar-lhe eu nem sei se você existe mesmo
nossas músicas e filmes e beijos eu ainda não posso mentir pra você eu ainda não posso me atrasar
talvez você more aqui ao lado e eu nem mesmo olhei pela janela por que você não aumenta o volume?
"Ano 2000 era o futuro há pouco tempo atrás"
Humberto Gessinger
PARA VARIAR, ESTE TEXT NÃO FOI REVISADO.
escrito por Ian Black, às 8:33:17 PM.

dezembro 28, 2000
Uma e quinze da manhã do dia 28/12: alguém está correndo atrás de uma galinha, na rua, logo em frente ao meu jardim [com "galinha" quero dizer exatamente isso: aquele ser empenado que bota ovo e faz cócócó]. A primeira coisa em que penso: ladrão de galinha! Bom, é porque é o que mais temos aqui -- não aves, veja bem, mas o bandido pé-de-chinelo, um Jean Valjean na vida. Acabo de me dar conta que não tenho relógio de pulso.
escrito por naomi ., às 7:27:38 PM.

Como diria meu melhor amigo, o Nando: apenas brincamos de ser adultos. Eu começo com esta frase para lembrar mais uma vez minha vontade de nunca ter crescido. Ontem, dia 28, aconteceu uma coisa que me fez mais uma vez lembrar desse meu sonho de Peter Pan.
A empresa contratou algumas pessoas para trabalharem entre outras áreas, no suporte técnico, onde trabalho. O que espantará a todos, é que não houve treinamento algum, o que seria no mínimo coerente, principalmente pelo fato de trabalharem com atendimento. Pois bem, apareceram três pessoas novas no nosso corredor, no trabalho (uma delas é a Viviane de quem já falei aqui). Uma delas, um garoto do qual não me lembro o nome, ficou atendendo as chamadas enquanto eu o auxiliava, tirando qualquer dúvida.
Mas a região que eu atendo é a que mais dá problema, além de possuir o mais complexo sistema de tráfego de dados. O cara, como não era de se espantar, encontrou dificuldades para resolver os problemas que eu já nem sei se tem solução. Porém, o cara teve algumas dificuldades de resolver alguns problemas básicos, como configurar uma rede dial up e reinstalar a mesma.
A minha supervisora (aquela do sonho) me chamou até sua mesa, e eu pensei que tomaria uma carcada por alguma besteira que eu tenha falado no atendimento. Mas ela me perguntou sobre o atendimento do cara. Eu comentei que as dificuldades vinham principalmente pela complexidade da área atendida. Mas ela não se deu por satisfeita, questionando outros pontos, e mesmo assim, procurei não fazer nenhum comentário negativo.
Depois, uma colega comentou que havia falado da má atuação do colega para a supervisora. Não me sentiria bem em deletar uma pessoa, que sairia prejudicada pela desorganização da empresa que não organizou nenhum tipo de treinamento. Agora, tirem suas conclusões...
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Na parte da tarde, uns colegas de trabalho e eu fomos para aquele bar que fica atrás do MASP. Minutos antes, entramos ali no Banco Real, onde havia uma casinha do papai noel, e pegamos uns livrinhos para colorir. Eu confesso que não suporto lugares que cobram mais de 1,00 numa coca cola, mas vamos lá. Pedi apenas uma coca, enquanto cerveja misturada ora com groselha, ora com menta, rodava a mesa entre gritos e sorrisos e cigarros.
Num certo momento, fiquei olhando para o nada quando uma garota (adivinhem quem?) perguntou por que eu estava tão calado. Falei que estava só pensando e ela: você precisa pensar menos e agir mais... Cacete. Ontem ela havia falado que ia me apresentar a amiga dela (que não rola mesmo) e eu havia interpretado como um fora sutil, apesar de nem ter chegado nela e nem nada. Naquela hora em diante eu nem pensei e nem fiz mais nada. Paguei a minha parte e corri até próximo a Av. Brigadeiro Luis Antonio, onde encontraria minha melhor amiga, a Lili.
Antes, passei por uma garota que estava tentando vender suas poesias. Passei sem falar nada, pensando que a encontraria depois para oferecer-lhe um espaço na minha página. Depois que encontrei a Lili, andamos até a Augusta, mas não havia mais sinal da garota e nem de poesia e só a chuva.
Depois que entreguei seu presente atrasado de natal, um cd Tigermilk, do B&S, comecei a comentar sobre o livro que havia lido, "1933 Foi Um Ano Ruim", do John Fante, em que o personagem Dominic Molise reclama com Deus sua falta de sorte, por ter nascido pobre e feio, e aos 18 anos, não ter perspectiva alguma. Dominic cobrava alguma posição de Deus, pois ele nunca faltava às missas, sempre rezava e frequentava a escola religiosa.
Entre quem teria a culpa ou não pela pobreza e imperfeição do mundo, notei uma mulher com um filho no colo, dando ordens para outro garoto para pegar os papelões no chão. Comentei a minha revolta, mas ao mesmo tempo confirmei minha hipocrisia ao afirmar que, se tivesse uma vida confortável, eu talvez fecharia o vidro do meu carro nos faróis e votasse no PPB.
Talvez eu estivesse muito puto com tudo aquilo por não viver da euforia de final de ano, pois vou trabalhar sábado, domingo e segunda.
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Cena da semana: a personagem Capitu sai de casa, e ao encontrar seu pai, mostra o livro que ele lia para ela quando criança e inspirou-o a batizar a filha: Dom Casmurro. Precisa maiores comentários? Inteligentíssima, como diria o José Dias, personagem do dito livro.
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Ian procura trabalho legal que não precise trabalhar nos finais de semana, pois como já diria uma música do Balão Mágico. Vou fazer uma livre adaptação:
O que é que tem segunda Tem obrigação Terça a gente trampa Quarta muda não Quinta mais ainda Sexta mais obrigação Sábado e Domingo não inventa não
Canta, Dança no fim de semana, nós não vamos trabalhar Canta, Dança Trabalhar é claro, mas tem hora pra parar
escrito por Ian Black, às 6:32:18 PM.

O COMEÇO Hoje começo meu texto com um poema que marcou minha vida, de autoria de Robert Frost. A tradução meia boca é minha mesma, so please, dêem um desconto, tá? ;-) Se vocês se lembrarem do filme ou do livro "Vidas Sem Rumo", não será mera coincidência
NOTHING GOLD CAN STAY Nature’s first green is gold Her hardest hue to hold Her early leaf is a flower But only so an hour.
Then leaf subsides to leaf So Eden sank to grief So dawn goes down to day Nothing gold can stay. [Robert Frost] ________________________________
NADA QUE É DOURADO FICA O primeiro verde da natureza é dourado Para ela, seu tom mais difícil de fixar Sua primeira folha é uma flor Mas somente por uma hora.
Então, folha se rende à folha E o Paraíso cai na dor E a alvorada torna-se dia Nada que é dourado fica [Free translation by Suzi Hong]
Não sei por que este poema ficou martelando meu sono intranqüilo durante horas, até que eu visse o sol nascer na manhã nublada de hoje. Talvez porque o fim do ano se aproxima, trazendo o começo de um novo século, milênio. Nesta época, fico sensível, melancólica e estressada com as resoluções que fiz no reveillon anterior e não cumpri. E mais, como a maioria dos mortais que conheço, faço o balanço geral do ano que passou e minha memória, inevitável e cruelmente, traz à tona todas as cagadas e erros que cometi, as dores e agonias pelas quais passei, as perdas, o passar impiedoso do Tempo. É foda, é foda, mas logo a fagulha da esperança que nunca morre cutuca e revira minha memória com as lembranças mais doces, de momentos vividos com amigos que encontrei e reencontrei, com meu namorado e confidente, que me fez acreditar que, sim, as pessoas podem morrer tranqüilas com um sorriso nos lábios por não abraçarem a felicidade que lhes foi dada. Acho que foi daí que surgiu a expressão “fulano está explodindo de alegria”. Sim, tive momentos que eu não cabia em mim, minto, os momentos felizes eram demasiadamente densos e fortes que não cabiam em meu corpo + alma + mente + vácuo, tudo somado.
And that’s it. A fagulhinha torna-se maior e o ciclo repete-se – começo a fazer minha lista de resoluções para o ano novo. É um momento incrível; sinto que meu futuro pelos próximos 365 dias estão totalmente sob meu controle, resumidos em umas folhas do meu diário. O peito fica inflado de ânimo e a certeza de que eu serei uma pessoa melhor no ano que começa. Eu me sinto o Deus de mim mesma, o Deus que me criou, com plenos poderes sobre todos os próximos segundos, minutos, dias, meses. Escrito o último item de minhas resoluções para o ano novo, vou dormir, senhora de mim, radiante, pensando na cor da calcinha que vou usar na noite da virada.
O FIM
Meio-dia do dia 31 de dezembro, hora de acordar preguiçosa. Começa a maratona – ir à manicure, passar o vestido branco, gelar a champagne, checar a trilha sonora e o caldo de lentilhas para a festa, rechear a carteira com bastante dinheiro para trazer sorte. E dar uma última lida na lista de resoluções do ano 2001 para ver se não esqueci de nada. Claro, faltou o item 134: fazer tai-chi-chuan todas as manhãs, às 6:00 hs., no Ibirapuera.
Os amigos vão chegando, começam a estourar os primeiros fogos, Roberto Carlos canta “Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui” no som. O povo canta, dança, deixa cair copos no chão, alguns choram, vomitam no quintal, queimam o sofá com bituca de cigarro. Tudo bem, tudo bem, uma das minhas resoluções é ser mais tolerante e compreensiva, amável, diria. Contagem regressiva e.... zero, feliz ano novo, estouros de champagne, beijos na boca, abraços, lágrimas e risos.
A casa vai, aos poucos, silenciando. Alguns se foram, outros dormem estirados no sofá. A casa tá uma zona. Cai do teto o último balão branco que restou. Está amanhecendo e o céu começa a ficar dourado – estupidamente dourado, como num sonho, como no Paraíso. Ergo minha taça com champagne quente e brindo a primeira alvorada do ano. E novamente sinto-me pequena diante do sol que arde, cega e é tão maior, mais belo, perfeito e constante do que eu. Meus olhos ficam rasos d’água e vou para o quarto, onde encontro meu namorado dormindo em altos roncos. Penso, emputecida – que falta de romantismo, que solidão sem colo, que grande filho da mãe. E o item número 1 da minha lista já era, porque sei que vou acordar o coitado, furiosa, melodramática, só para reclamar do seu sumiço no meio da festa.
E já é dia.... “Nada que é dourado fica”. __________________________________
Feliz Alvorada 2001 para todos vocês!
escrito por Suzi Hong, às 6:08:33 PM.

dezembro 27, 2000
Hoje eu sonhei com minha chefe... Mas o que aconteceu foi que tive um sonho meio doido (qual sonho não é meio doido?). Sonhei que trabalhávamos num centro de pesquisa e ela havia contraído um vírus letal que abaixava consideravelmente sua temperatura, a ponto de congelar-se por inteiro e então, cair no chão e trincar. Mas isso não aconteceu, pois eu elevei todo o sistema de ar condicionado a 40 graus (e nem sei se dá pra fazer isso num ar condicionado). Levei-a para fora e enfiei num carro, onde estavam mais dois pesquisadores que não lembro quem eram. Dei uma bronca para que fechassem os vidros, pois o vento frio entrava no carro e acelerava o processo de congelamento. Depois não me lembro de mais nada. Só sei que de manhã, no trabalho, ela apareceu, mas fria comos sempre...
Tenho uma amiga no trabalho, a Rita, que está muito triste por uma coisa muito comum: quem ela quer não a quer... Então, para ver se a deixava mais alegre, mandei um trecho muito legal da Legião: "Se você quiser alguém pra ser só seu, é só não se esquecer, estarei aqui...". Porém, não reparei que no momento em que fui clicar no seu nome, o icq havia atualizado e acabei mandando para um amigo, o Rodrigo. E aconteceu o que já previa, zoação geral, pois ele havia encaminhado a mensagem pra todo mundo do suporte. fuck.
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Sabem o que passou na Sessão Da Tarde, hoje? DE VOLTA PARA O FUTURO III. Não é o meu preferido (e eu prefiro o II), mas é um filme ótimo. Quem aqui nunca pensou em voltar no tempo, ou avançar no futuro e mudar algumas coisinhas?
Bem, só por ter um DeLorean já seria o máximo, ainda mais um que pudesse voar e viajar no tempo. Eu tentaria voltar alguns anos e dar uns toques para mim mesmo, para que eu não cometesse as besteiras que cometi no campo amoroso e profissional. Mesmo que isso custasse a existência do universo, pois segundo o Dr. Brown, se as mesmas pessoas, em épocas diferentes se encontrassem, das duas uma: ou o universo entaria em colapso ou elas tomariam um grande susto. Aproveitaria e ainda me presentearia com um Hover Board, aquele skate que flutua. Imaginem o sucesso que eu faria com as garotas?
5 COISAS QUE EU FARIA SE TIVESSE UM DE LOREAN PARA VIAJAR NO TEMPO
. Impediria que meu pai morresse . Conversaria comigo mesmo para que eu não perdesse o emprego na Publicidade Klimes . Conversaria comigo mesmo para que eu não tratasse a Patrícia da maneira que tratei . Conversaria comigo mesmo para não repetir o terceiro e último ano do segundo grau . E Lógico, descolaria para mim mesmo todos os resultados da Sena
Se bem que, se eu fizesse as coisas numero 2, 3 e 4 da minha lista, não estaria aqui escrevendo para a Logopeia, ou para qualquer outro veiculo. Putz, eu estaria casado, com um filho, trabalhando no departamento financeiro do meu ex trabalho e me formando em Ciências Contabeis. Casa, carro, emprego e mulher. Todos de ótima qualidade e muito chatos. E aí vem a grande dúvida: eu estaria feliz se seguisse tal caminho? Hoje, uma garota do meu trabalho perguntou sobre o que aconteceria se ela continuasse namorando o ex. E é nisso que sempre vamos insistir, não o que somos agora, mas o que poderíamos ter sido. Talvez isso seja uma besteira, mas o que aconteceria se eu não o tivesse escrito?
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visita internética do dia:
o site da Paula Pimenta, a nova colunista Enloucrescendo: http://www.mundalua.hpg.com.br tem umas músicas dela que ainda não tive a oportunidade de ouvir, mas se ela cantar e tocar tão bem quanto escreve, já está recomendada.
últimas músicas enquanto escrevi a coluna:
Midnight Oil: como diz a minha amiguinha Lola, a melhor banda ruim do mundo. Com "Brave Faces" e "Bullroarer".
escrito por Ian Black, às 4:41:28 PM.

dezembro 26, 2000
Essa história me foi contada por Mercutio, um amigo honesto.
"Dia 24, noite. Sim, é Natal. Estou dirigindo meu carro pelas ruas solitárias enquanto a chuva cai sem dar tréguas e eu nunca me lembro de ligar o pára-brisa.
Ouço um jazz antigo que fala sobre garotos que não prestam atenção em garotas que estão apaixonadas..
Can you see this girl? Yes, this girl's in love with you...
Me perco em pensamentos. Lembro da foto de uma velha amiga que hoje está em algum lugar que eu não sei qual é. E penso que talvez eu não a veja tão cedo e como é difícil sentir saudades de um amigo.
Os pensamentos também passeiam pelas festas de Natal passadas, em que se ganhavam brinquedos de presentes e quando os parentes eram amigos e os abraços eram sinceros. E era uma alegria, enfim, sentir o cheiro da comida na cozinha da vó e bebericar alguma taça de vinho branco que alguém oferecia pra gente.
Mas hoje estou indo ao encontro daqueles que não amo mais, para não mais abraçar ou trocar presentes. Simplesmente para fazer a vontade de uma velha triste, que ainda teima em ver sua cria reunida no fim do ano, por mais falso que isso possa parecer.
A casa não tem mais cheiro de comida. O que se vê é o pó sobre os móveis antigos e um mar de gente que se cruza e finge que não se vê, porque é melhor manter o silêncio do que proferir ofensas, em um dia tão importante como esse.
Nos fundos da casa vejo meu avô, com quem não falo há mais de dois anos, porque ele resolveu tomar parte em um dos lados da família - justamente aquele onde eu não estava. Ele passou por mim e baixou os olhos, sabendo que há momentos em que o silêncio redime o existir.
Quando ele passa eu me viro, toco em seu ombro e digo: 'vô, feliz Natal'.
Só consigo enxergar seus olhos úmidos e vermelhos e sentir um abraço forte, despreparado; quando despreparado estava eu para receber aquele abraço, honesto como nunca mais sentira.
Penso no que me aconteceu para tomar aquela atitude e quero chorar de novo, porque não sou mais criança."
Agradeço ao Mercutio por seu depoimento. E feliz pós-Natal a todos. We'll catch up later.
escrito por Ricardo Sabbag, às 12:22:16 PM.

dezembro 25, 2000
Meu Natal não teve a casa cheia de tios que não vejo, primos pentelhos e outros nem tantos, avós, presentes embaixo da árvore de plástico, presentes meia-boca comprados de última hora. Meu Natal não teve a casa cheia, nem estouros de champanhe, nem brinde à meia-noite do dia 25.
Ainda assim, eu e minha mãe preparamos um belo jantar e enfeitamos a casa toda com flores, poutpourries (é assim que se escreve?). A mesa de jantar foi decorada com velas, lírios brancos, cristais, talheres de prata e porcelana. Eu preparei uma bela sangria e iguarias da cozinha oriental. Eu fui à igreja assistir à peça de teatro natalino dirigido por minha eterna irmãzinha, apesar de seus completos 21 anos, com roteiro e trilha sonora assinado por esta que escreve agora, e como tive orgulha da bichinha, irmã coruja que sou.
Moro num apartamento grande, com 3 cachorros, que ganharam biscoitos de presente... À mesa, estavam apenas cinco pessoas - eu, mamys, irmãzinha caçula, irmão mais velho recém casado e minha cunhada. Não oramos antes da ceia, não fomos tomados por qualquer tipo de sentimento natalino que costuma aparecer, assim, uma vez por ano. Não senti saudades dos natais passados, quando a casa virava zona e meu pai, sentado à mesa com um copo de whisky, divagava sobre o sentido da vida.
Ouvi os fogos estourando na Paulista, à meia-noite. Não senti solidão. Não pensei muito. Apenas agradeci a presença de cada uma das pessoas presentes à mesa e das pessoas ausentes, que enchiam a casa com velhas piadas contadas depois de muito vinho e champagne, abraços verdadeiros, sorrisos indecifráveis, vozes em off...
Foi um Natal estranho que passou por mim rápido e marcante como uma chuva de verão. Sexta-feira comemorei o Natal com meu pai, avó, tios e primos paternos. Este foi o primeiro ano em que estive em duas festas de Natal. Se antes, essa possibilidade me assustava, hoje me conforta. Ninguém precisou fazer mis-en-scénes, ninguém se inflamou com discursos natalinos ortodoxos, ninguém bebeu demais e ficou recitando fatos da vida pregressa; não houve pausas para reflexão; não houve sorrisos falsos e abraços inodoros, não houve calor requentado de outros natais, não houve lavação de roupa suja.
Para muitas pessoas, o evento Natal só vem a corroborar a tese de que a família é uma instituição falida. Discordo, porque este ano eu pude desfrutar de um Natal diferente e personalizado com cada um de meus irmãos, com minha mãe e meu pai. A cada um deles pude dar uma festa particular, um abraço exclusivo, um afeto dirigido. Nada se dissipou. Não houve comoção coletiva e, sim, estreitamento de laços meus com os meus. A família não é uma instituição, mas vidas entrelaçadas por vontade divina e pelos sentimentos humanos, sim, aqueles que não controlamos, amamos e odiamos ao mesmo tempo.
Esta manhã, minha mãe me acordou beijando minha face, molhando-a de lágrimas. Há tempos ela não fazia isso, por achar que eu já era crescidinha demais para receber mimos e carinhos. Ela estava apaziguada e emocionada por ter ganho um CD que gravei especialmente para ela, que eu deixei na cabeceira de sua cama de casal grande e vazia demais, no meio da madrugada. Enchi o CD de músicas e memórias afetivas e fiz uma capa com poesias de minha autoria escritas na língua materna. Que manhã, cool, amigos leitores, que manhã azul.
Não... definitivamente meu Natal não foi como os dos comerciais do peru Sadia ou dos panetones Bauducco. Meu Natal foi MEU, encheu minha alma de diversas festas, onde cada protagonizante dançava rodopiando como o Fred Astaire, olhando para mim, só para mim, me tirando para dançar, leves e flutuantes no ar fresco de uma noite estrelada.
escrito por Suzi Hong, às 8:26:24 AM.

dezembro 24, 2000
então, depois de um tempo, eu volto à casa e pronto: instala-se a bagunça!
me explico: desde o dia 19 de dezembro, alguns dias depois do nasacimento do logopéia, fiquei isolada do mundo - leia-se sem acesso à internet. isso se deu por que a empresa onde trabalho deu férias coletivas a seus funcionários e, em sendo eu uma funcionária, vim para a minha casa no rio de janeiro, totalmente offline. é, a vida é assim mesmo e as pessoas são como elas são, diz um amigo meu muito querido e muito macio também.
e hoje, na noite de natal, passei todo o dia ao lado da família, para matar as saudades dessa instituição falida e quem sabe dar um pouco de esperanças a eles, que se preocupam muito comigo morando numa cidade que é praticamente um hospício a céu aberto como são paulo -- e depois, que eu não sou de ferro, venho me instalar na casa de um - insisto - amigo com gradação mais alta que o recomendável arrumar sarna para me coçar -- eu nunca consigo escapar desse tipo de coisa, confesso...! e hey, não é que o tal amigo tem um computador antenadíssimo?
e é claro que eu não ia perder a oportunidade de conferir se o filho que estava na incubadora sobreviveu ao longo inverno que foi o blogspot estar fora do ar - e que surpresa, não só sobreviveu mas cresceu muito mais do que o esperado! muito bom, um presente e tanto para esse natal cheio de calor e certezas estranhas.
mas como já estou sendo rotulada de anti-social pelas outras pessoas que também estão na casa e que curtem essa festança social que são as comemorações de natal, vou ter de abrir mão da tentação de escrever um texto longuíssimo falando de assuntos pessoais-filosóficos que cansariam qualquer pessoa que o lesse com a exceção de mim mesma e mais alguns próximos bondosos com meus devaneios -- e saio contente, pensando no que me esperará no meu primeiro acesso no milênio que vem.
ah! e antes, sempre em tempo: bom natal - mesmo que você não ligue pra isso - e um ano novo muito, muito louco pra vocês!
escrito por sweethell ., às 7:51:31 PM.

COMO NÃO ESTOU CONSEGUINDO MANDAR TUDO DE UMA VEZ, LEIA PRIMEIRO O TEXTO DEBAIXO
Hoje é dia de comer, beber, dar risada e presentes. Hoje é o natal. Este é o nosso natal. Não gosto quando alguém vem meter religiosidade no meio, quando o que querem é farrear mesmo. Mas esta estória de religiosidade barata fica prum próximo episódio.
Ás vezes me pergunto se o tal espírito natalino existe. As respostas brincam de cabo de guerra. De um lado, o ceticismo e a certeza de que todos querem apenas lucrar e que se foda tudo. Do outro, a esperança de que devemos acreditar sempre, e de que todos nós seremos felizes não só hoje, mas em cada dia, em cada ida ao trabalho, a escola, nascimento ou funeral. Eu choro com algumas estórias de Natal tristes. Vou colocar aqui duas. Vou pedindo desculpas antecipadas, pois não sou bom contador de estórias:
"Lembro que numa novela das sete, Tony Ramos interpretava um padre que rejeitou todas as regalias da vida classe média para viver entre os excluídos que viviam numa favela encostada num viaduto. Na noite de natal, o padre e os excluídos foram a uma padaria, onde o proprietário não deu nenhum pão e ainda escorraçou-os de lá. Porém, um garoto do grupo pegou um pedaço de pão escondido. Felipe Folgosi interpretava um paranormal, e viu tudo o que acontecera ao padre e o grupo que o acompanhava. No momento em que o Padre pega o unico pedaço de pão e levanta aos céus para agradecer a Deus, Folgosi faz com que o carro da padaria (que passava por cima do viaduto onde localizava-se a favela) derrapasse e derrubasse todos os cestos de pães, que caiam como chuva sobre o padre e seus excluidos."
"Em um episódio do Spawn, da Editora Image, um garotinho pobre é deixado sozinho em casa, pois sua mãe trabalhava de faxineira em uma mansão. Ele, depois de adormecer assistindo à várias reprises da fita da Rena do nariz vermelho (que sua irmã mais velha colocou no video para distrai-lo e poder sair com os amigos), o garotinho acorda ao ouvir uns barulhos estranhos do lado de fora. Spawn está dando cabo de alguns ladrões, mas como a janela estava embaçada pela neve, o garoto imagina Papai Noel entregando os presentes. Ele procura se esconder, pois sabe que se estiver acordado, o Papai Noel não lhe dará presentes. Terminado o barulho, o garoto corre até a árvore e percebe que o número de presentes não se alterou desde a última vez em que havia contado, antes da meia noite. Então, ele abre a janela para lembrar ao Papai Noel que havia sido um bom garoto e o velhote não poderia ignorá-lo. Ele apenas observa o vulto de Spawn indo embora e ao abaixar a cabeça para lamentar-se, percebe um monte de dinheiro, e com os olhos brilhando, agradece ao Papai Noel. Sua mãe chega em casa pela manhã e percebe o dinheiro e acredita na inocência dos olhos do garoto. Então, com o dinheiro, ela organiza um almoço para as outras crianças pobres do prédio."
Bem, acho que já posso me candidatar ao oscar de maior trecho num weblog.
Que o natal seja todo dia, que sempre haja fartura e presentes e sorrisos e lágrimas verdadeiras. Sempre ao lado das pessoas que amamos.
e como não poderia deixar de ser, vou terminar esta mensagem com minha música de natal favorita. Pegue sua bicicleta antes que chegue atrasado ao coral...
Quero ver você não chorar não olhar pra trás nem se arrepender do que faz
Quero ver o amor vencer mas se a dor nascer você resistir e sorrir
Se você pode ser assim tão enorme assim eu vou crer
Que o natal existe que ninguém é triste que no mundo há sempre amor
Bom natal um feliz natal muito amor e paz pra você
...pra você...
São os votos do Ian Black, José Câmara e toda a sua família.
Feliz Natal
escrito por Ian Black, às 1:58:51 PM.

Como não estou conseguindo mandar tudo de uma vez, LEIA ESTE TEXTO PRIMEIRO.
O natal está chegando e como em todos os natais dos quais me lembro, está chovendo. E sempre que eu está chovendo num natal, eu lembro do meu primo Ricardo, que há uns dez anos fez essa afirmativa chuvosa sobre os natais. A chuva vem para dizer que está tudo como antes: a pressa depois de ter deixado os presentes para ultima hora, os parentes que você não vê o ano inteiro e alguns que não saem da sua casa, Cidra Cereser e Panettone Bauducco (eu prefiro chocotone), Bill Murray enfrenta os fantasmas dos natais e Doroty faz uma visita ao mágico de Oz no final da madrugada.
Eu já nem sei se os perus de hoje em dia ainda tem aquele alarme informando quando estão prontos. Lembro de quando eu sentava e suava em frente ao forno esperando o momento em que aquele trocinho branco saltasse do corpo do peru e eu saia gritando para a minha mãe que ele estava pronto. Até hoje não sento na mesa com os adultos, prefiro ficar no chão da sala com meus primos que nem sabem quem foi a rena do nariz vermelho.
Fui em uma loja em Pinheiros, com meus amigos João Paulo e Tuta. Como eu moro em Embú das Artes, preciso passar pela BR 116, e lá, coloquei minha mão pra fora do carro e comecei a voar com a mão, ela flutuva ao sabor do vento e nem a chuva quente que caiu por poucos minutos foi capaz de estragar aquele voo perfeito. Chegamos na loja, Cheguei a pegar "The Night" do Morphine, "Fold Your Hands..." do Belle & Sebastian e o livro "Laranja Mecânica" do Anthony Burgess, mas desisti, pois não era minha intenção comprar presentes para mim. Comprei um cd da dupla Gian & Giovanni pra minha mãe, e um livro, "Fogo Nas Entranhas" de Pedro Almodovar, para o meu irmão dar, junto com "If You Feeling Sinister" do Belle & Sebastian, para sua namorada, a Simone. Como todos os namorados, eles brigaram para decidir aonde passar a virada do Natal, em casa ou na casa dela. Como eu não tenho namorada, não preciso comprar Cd nem livros e nem ficar discutindo o local para passar a ceia. Quando estamos sozinhos em pleno natal, o que nos resta é ficar soprando a poeira e lembrar que há quatro anos, em 1996, a Patrícia chorava no meu colo enquanto ouvíamos "Love In The Afternoon" da Legião Urbana, ou quando tomei um fora da Cleide em pleno natal de 1997.
Se vocês estão acompanhando meu drama desde a última vez em que escrevi, saibam que eu ainda não sei se a Viviane foi ou não na minha página. Já recebi uma dica da Paula, mineira de Belo Horizonte, que escreve muito bem e é a nova colunista da minha página, Enloucrescendo. Estou aceitando as sugestões até segunda feira a noite, para que as coloque em prática no outro dia.
Já expressei para mim mesmo a vontade de escrever alguns contos natalinos, e como sempre, parece que vou ter que deixar esta idéia para o ano que vem. Ano passado, esta idéia surgiu quando, a alguns dias do natal, eu voltava do trabalho por volta das 23:30, dentro do ônibus, quando um garoto passou por baixo da catraca e deixou cair um revolver calibre 38. Ficamos (todos nós, os passageiros) inertes, bobos, anestesiados. Alguns olhavam secos, outros olhavam a escuridão dos prédios a volta, onde todos já dormiam. O garoto, meio sem jeito, deu o sinal e desceu no ponto mais próximo. Percebi o quanto a vida é frágil, e todos aqueles seus planos e trabalhos podem simplismente acabarem num pedaço de metal, pelas mãos de outra pessoa.
escrito por Ian Black, às 1:33:31 PM.

dezembro 23, 2000
Fiquei intrigada com um sonho que tive esta semana: estava dirigindo um carro caindo aos pedaços, em direção ao nada, numa estrada absurdamente ingríme, cheia de terra e pedras - e era noite. Depois de algum tempo, cheguei ao fim da tal estrada, que acabava em um grande muro de cimento branco, rodeado por árvores gigantescas - parecia cenário do Twin Peaks, mas eu não estava com medo.
Eu sonho pra caramba... mas com o fim do ano, milênio, etc. etc. fiquei incomodada de subir e subir, aos trancos e barrancos, no meio do breu, para dar de cara um muro branco intransponível, ainda que oniricamente. Será um sinal de que começarei 2001 já me esgoleando? Meu namorado acha que devo botar todos os sonhos no papel. E de Natal, eu já pedi um guia completo para decifrar sonhos de fazer inveja a Freud (este cara nem foi capaz de resolver meus problemas de distimia). Alguém se habilita?
escrito por Suzi Hong, às 11:08:48 PM.

dezembro 22, 2000
a cabeça ainda não consegue encontrar um rumo correto a não ser o da cama. meu deus, como eu pude ficar bêbado com vinho de pêssego? Mas mudando totalmente de assunto (eu vou fazer isso muitas vezes, já avisei). Hoje eu fui perceber uma garota nova no meu trabalho, no meu corredor (trabalho com atendimento, então são vários corredores com vários atendentes). Ela chama-se Viviane e é muito bonita e tem um sorriso lindo. ela me deu uma piscada e eu procurei saber se ela tinha namorado. e que bom que eu descobri que ela não tem. Eu sou muito e muito tímido, então, demorei pra caramba pra tentar alguma aproximação. logo na saida do trabalho, por sorte, um amigo perguntou da minha página e ela estava perto. então, interessou-se e eu passei o endereço. se voces derem uma olhada em www.enloucrescendo.cjb.net, vao ver uma mensagem boba que eu coloquei pra ela. bem. chegamos a sentar juntos por alguns momentos no onibus, onde fiquei sabendo que ela também gosta de rock n roll. que bom... so que ela disse esperar folgar no final de ano para passar o ano novo com "uma pessoa"... cacete... então, amigos, aceito dicas de como virar este jogo antes do final do ano... só preu conseguir um beijo já ajuda. um beijo tem um poder que muitas vezes nem acreditamos...
escrito por Ian Black, às 8:12:14 PM.

dezembro 21, 2000
Desculpa que sempre guardo no colete toda vez que dizem que estou mais gordo: "Ah, é mais Alexandre no mundo". Tsc, tsc... Well, mas o caso é o seguinte: eu só emagreço quando estou encalhado, e preciso, digamos, "voltar ao mercado". Porque quando estou namorando, a gula e a preguiça falam mais alto. Sim, estou vendo vocês todos menearem a cabeça. Não, não precisam me dizer que esse é um jeito canalha de ser. Mas o que fazer? Quem me namorou até já sabe: meus pneus são uma metáfora ambulante do quanto o relacionamento está própero e sadio (ah, as desculpas).
Meu reino por um metabolismo que queime meus pneuzinhos Firestone.
escrito por Alexandre Inagaki, às 3:52:16 PM.

dezembro 20, 2000
What a shame, ser a última a escrever - mas é bom sentir vergonha, às vezes. Digo isso, porque estou numa fase desavergonhada da vida, e isto me preocupa.
Não escondo mais minha barriguinha e meus pneus que andam crescendo, e pior, ao contrário do Ian, não fiz nenhuma espécie de promessa para entrar em forma.
Não disfarço mais meus ciúmes, nem minha insegurança, a insegurança de quem está irremediavelmente apaixonada, e há tempos já mandei às favas qualquer resquício blasé sobre o subject amor.
Perdi totalmente o senso de ridículo - pintei os cabelos de vermelho e alardeio que meu psiquiatra é uma das pessoas mais fantásticas que passou pela minha vida, sem contar, que ele talvez seja o cara que mais me conhece.
Desencanei de pedir desculpas por e-mails respondidos com atrasos ou compromissos adiados porque o dia tava lindo e o sol parecia não sair do lugar. Acho que perdi toda a finesse, etiqueta e os bons modos. Fui tomada pela jungle fever e nada no mundo pode me convencer agora de que eu deveria estar em um escritório no Itaim, ralando em frente a pilhas de contratos, ao invés de lagartixar ao som de Beach Boys, tomando água de côco, feliz da vida por estar lendo mais um bom livro.
Acho que a casa caiu. E gosto de ver a zona toda; é divertido lembrar que um dia eu já fui uma das baratas tontas do Itaim correndo atrás de sei lá o quê, e me acabando por dentro pela vergonha que eu sentia por não ser a pessoa mais brilhante, profissional, pontual e 24 horas perfumada do mundo.
É muito cool não sentir mais vergonha, porque é quando páro de olhar para os lados e começo a reparar mais em mim. Tá certo, vocês não estendendo peanuts de tudo isto aqui. But it's all right, perdi até a vergonha de escrever abobrinhas de todos os gêneros.
Preocupante, realmente preocupante...
escrito por Suzi Hong, às 5:56:08 PM.

Estou aqui sentado escrevendo, com os pés enfiados na agua quente misturada com sal e vinagre, para aliviar a dor e limpar uma frieira gigante que nasceu do dedo do meio do pé direito. não estou conseguindo nem andar direito. Estou conversando com a Leila, uma garotinha de 11 anos com um papo muito mais interessante que muitas garotas de 16. Por causa da irresponsabilidade de seus pais e irmãos, a Leila acabou de passar para a segunda serie do ensino fundamental so agora. Alegando isso, eu me apoderei indebitamente do cd do INXS do irmao dela, que e marido da minha prima. Eu fui padrinho deste casamento no cartório. Meu tio estava vestido como um típico mafioso cuja filha vai casar. Casamentos sao como formaturas, só é legal quando você está no papel principal, casando ou formando. Putz, hoje eu queria escrever mais, mas ja sao quase meia noite e o encanto vai acabar. Meu Pentium IV vai virar um AMD K6 e meu Hagen Dasz (é assim que se escreve?) virar um picolé de limão, daqueles duros que dói até o dente.
escrito por Ian Black, às 5:45:35 PM.

Ok, eu não deveria entender nada, mesmo. Aliás, como é confortante não entender nada. As coisas simplesmente acontecem e você pode dizer pra si mesmo, depois da cagada: "ah, eu não entendo nada".
Pude dizer que não entendo nada algumas vezes nessa semana. Até segunda-feira, quando eu faltei ao trabalho porque a ressaca tava muito alta e, cara, é preocupante faltar ao trabalho porque a ressaca foi braba.
Fragmentos de uma vida besta: 1) Cortar as mãos com anéis das latas de cerveja; 2) Chegar em casa às cinco da manhã e telefonar pra quem você não deveria pra dizer coisas que JAMAIS deveria; 3) Passar o sábado ermo na cama porque a bebedeira do dia anterior foi demais pra sua cabeça; 4) Ir na churrascada de despedida da sua turma e tentar agarrar a professora; 5) Faltar o trabalho na segunda-feira por causa de ressaca.
Eu estou exausto de ter que ouvir coisas que não quero das outras pessoas, como: "gosto de você como amigo", "você merece um salário maior, mas a empresa está passando por modificações internas", "você se daria melhor na vida se se vestisse melhor e comesse menos porcaria" ou "é, não gostei do seu cabelo, mas fica tranqüilo, ele cresce de novo".
Quando a gente conhece outras gentes deveria avisar logo de cara "ei, eu não gosto de ouvir esse tipo de coisa, ok?". E, pronto, estaria resolvido. Se você se importa com isso, em ter que me dizer isso, me esqueça logo de cara, por favor. Por favor, seremos mais felizes assim, ou, se preferir, sofreremos menos não tendo que pensar nisso nos momentos de miséria.
Meu reino por um banho de piscina.
escrito por Ricardo Sabbag, às 8:46:18 AM.

dezembro 19, 2000
Ai, quantas vezes prometi a mim mesmo entrar numa disciplina militar e perder esta barriga que já está aparecendo sob a camisa?
Espero que este weblog ajude-me, pois serei forçado a tomar atitudes drásticas a cada vez que procurar inspiração pra escrever aqui e olhar para baixo e ver aqueles pneuzinhos de não sei o que, pois não é barriga de chopp, pois eu não bebo. Tá bom, bebo vinho, e na festa da empresa que aconteceu ontem, eu diluia o vinho branco com sprite e criava minha champagne caseira.
Já vou avisando aos leitores deste meu jeito: Começo falando do papel higiênico que faltava na Rodoviária no percurso São Paulo - Rio de Janeiro, e depois de alguns minutos, percebo que o papel apareceu e desenrolou-se de maneira a andar por cima dele pra bem longe do assunto principal. Mas para sorte de todos, eu percebo a tempo de retomar a estoria de onde ela parou.
Bem, o problema é que a barriga está grande e eu preciso fazer algo para reverter esta situação. Talvez se eu me comportar no ano que vem, o Papai Noel não me dá uma barriguinha com 0% de gordura...
Outra coisa que eu já ia me esquecendo, e preciso alertar os leitores: sou uma pessoa inconstante, muito mesmo. Como o assunto que ocorreu nas últimas mensagens era o "tema livre" ou não, hoje posso dizer que sim, amanhã que não, ou vice-versa. E nem vou ficar falando muito, pois vai que fica decidido um "tema" e este tema seja falando de nós mesmos. Minha mensagem vai ter mais reprises que os episódios do Chaves...
escrito por Ian Black, às 3:53:40 PM.

ei, povo! como é mesmo? um mural :o) ié
tati, faço minhas as suas palavras [dá um desconto, são quase 19h e o sol* entra pela janela à minha esquerda, refletindo por trás dos óculos e vejo tudo como um sonho: brilhante, distante e com direito a trilha sonora -- ''night'', som que parece new age e vem num jogo de MahJongg altamente viajante que tava jogando até o momento em que fui convidada para participar de outra viagem]. ah, as palavras... pois é: tema livre é o que rola! muito embora eu desconfie seriamente que esse tal de tema livre era pura falta de inspiração das professorinhas. sabe aqueles dias que as crianças ficam impossíveis e tudo o que ela quer são 20 minutos de sossego?
* vou sentir falta do pôr-do-sol...
escrito por naomi ., às 1:08:44 PM.

ao contrário do alexandre, que acaba de inaugurar esse nosso novo projeto coletivo - vida longa à logopéia! -, eu sempre gostei das redações de tema livre da minha época de colégio: eram esses os momentos que, fora da rigidez de uma imaginação tolhida por uma pré-definição alheia, eu podia escrever o que eu queria, da forma que eu queria, só me preocupando com o tempo e para não ultrapassar o número máximo de linhas. eram as minhas redações mais viagem: e eu viajava bastante quando era mais nova. no papel em branco cortado por trinta linhas que esperavam ansiosas pelas minhas palavras, entravam as minhas idéias mais soltas, mais internamente trabalhadas - sem rascunho prévio e sem caneta por cima do lápis.
minhas notas em redação sempre foram excelentes.
então, nessa grande redação de tema livre que é a logopéia, eu entro com o pé direito, na nostalgia de tempos idos que me deixaram a saudade dos exercícios de escrita. com um texto curto pois o meu tempo nesse momento é mais curto do que o prazo que me davam meus professores, porém com toda a alegria de quem começa algo com a sede de dividir algo bom com o mundo.
mesmo que o mundo não saiba disso... ainda! =)
escrito por sweethell ., às 12:43:35 PM.

O primeiro passo, o mais árduo e sofrido de todos. Como começar? Esta é sempre a dúvida que me inquieta. "Entre o sim e o não, existem inúmeros talvez", sentenciou o graaaaande Cortázar. Mas permanece a questão: como começar isto daqui, como desvirginar este branco na tela e na minha cabeça? Está explicado, pois, porque é que detestava redações com tema livre: perdia pelo menos um terço do tempo pensando em algo interessante pra escrever. Pode parecer paradoxal queixar-se da liberdade total para escrever, mas é que sou um cara que precisa de limites pré-definidos para produzir melhor. Meus trabalhos de faculdade, por exemplo, são sempre feitos em cima da hora, e o que é incrível, via de regra acabam saindo bons (ao menos as notas têm demonstrado isso). Sei lá, se eu tivesse todo o tempo do mundo pra escrever, provavelmente deixaria meus neurônios jogando papo fora na mesa de bar do meu cérebro. E como todos sabem, papos de barzinho NUNCA chegam a nenhuma conclusão, e se chegam a algum lugar, tá todo mundo bêbado demais pra se lembrar de alguma coisa no dia seguinte. Essa dificuldade transparece em minha vida amorosa. Como abordar uma menina por quem estou a fim, e que não conheço? Ah Deus, sou um cara desajeitadamente tímido, e só Deus sabe o quanto isto atrapalha minha vida. Nunca sei como abordar uma garota por quem estou a fim. Afinal de contas, o que dizer? "Oi, você vem sempre por aqui?". Putz, jamais teria a cara de pau suficiente pra dizer algo tão óbvio. Mas e aí, falar o quê? Qual o telefone do cachorrinho? Pfuf, só sei que foram raríssimas as cantadas que dei na minha vida. Mesmo porque só passo uma quando sei que terei 101% de chances de dar certo. OK, nunca levei um fora. Mas vou me gabar do quê? Pois sabe-se lá quantas boas e deliciosas oportunidades já perdi na vida por conta da inaptidão e falta de cara de pau pra paquerar incautas mundo afora. Well, mas o fato é que já enrolei todo mundo com esse chaveco sobre o primeiro passo. E já dei a largada nesta insensatez aqui. Next, please. ;-)
escrito por Alexandre Inagaki, às 12:03:03 PM.

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