assine o feed de dissociative identity disorder

calendário

April 2014
M T W T F S S
« Mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  




do monólogo de si

publicado por Tatiana Leão in literatura, mais da mesma, pessoal, poesia
05 4th, 2011

Rural Abandon (18)
Creative Commons License foto: Jon Bradley Photography

Solilóquio

Como fui, passando delicadamente
Nas tragédias alongadas vida adentro,
Deixou assombrada a figura restante que sou eu.

O tempo que se deslizou por mim
Manchou com seus êxitos a pele
Que recobre uma máscara simplista de existência.

Não houve, não há, não haverá mais
O que se recorte ou delineie assim
Nos trajetos a traçar e percorrer, vagarosamente.

Abstrata é a esperança, e recorrer
A ela é pobre, insuficiente socorro
Para amainar meu descanso, todo ele desalento.

Os escuros profundos que são tecidos
Nos recônditos insistentes perseguidos
Fogem à luz, fogem à vida, fogem ao amor, fogem a tudo.

Share


de dar.

publicado por Tatiana Leão in citações, livros
04 1st, 2011

Spiral Creative Commons License foto: BlueRidgeKitties

A mais importante esfera de dar, entretanto, não é a das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa a outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá de sua vida. Isto não quer  necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas que lhe dê daquilo que em si tem de vivo; dê-lhe de sua alegria, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza – de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si. Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa, valoriza-lhe o sentimento de vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade. Não dá a fim de receber; dar é, em si mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado à vida reflete-se de volta no doador; ao dar verdadeiramente, não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno. Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu. Com relação especificamente ao amor, isso significa: o amor é uma força que produz amor; importência é a incapacidade de produzir amor.

(…)

Quase não é necessário acentuar o fato de que a capacidade de dar depende do desenvolvimento do caráter da pessoa. Pressupõe o alcançamento de uma orientação predominantemente produtiva; nessa orientação a pessoa superou a dependência, a onipotência narcisista, o desejo de explorar os outros ou de amealhar, e adquiriu fé em seus próprios poderes humanos, coragem de confiar em suas forças para atingir seus alvos. No mesmo grau em que faltarem essas qualidades é ela temerosa de dar-se – e, portanto, de amar.

Erich Fromm, in A Arte de Amar.
Livro para ser lido e relido tantas vezes quanto houver disposição e necessidade para tal.
Os grifos são meus.

Share


do prazer e amor das palavras.

publicado por Tatiana Leão in arte, misc, videos
01 14th, 2011

Recebi este vídeo via Twitter, em um daqueles links nos quais clico preguiçosamente sem ter muita ideia da qualidade ou relevância do conteúdo. Nos primeiros 30 segundos, meu queixo já havia caído e um prazer indescritível tomou conta de mim, justamente o prazer que só palavras bem ditas formando ideias bem colocadas podem provocar.

Trata-se de um discurso de Stephen Fry sobre as palavras, a linguagem, o idioma e o amor por eles. Ao que parece, a fala fará parte de um programa de TV apresentado por ele na BBC de Londres, chamado Planet Word. Me fascina a ideia de um programa totalmente dedicado a essa tríade, assim como me encantou o vídeo. Bem que isso podia colar por aqui –  o português é uma língua tão complexa e tão linda, mesmo sofrendo agressões constantes por parte daqueles que a utilizam.

A transcrição da fala pode ser lida abaixo do vídeo. Os negritos são meus.

Aproveite; não é toda hora que se tem a oportunidade de ser tocado por ferramentas tão cotidianas e banalizadas de comunicação quanto simples palavras.

ler mais »

Share


de dois mil e dez.

publicado por Tatiana Leão in pessoal
12 31st, 2010

road and mountain bw
Creative Commons License photo credit: mike138

Não lhe tenho apego, ano que se prolonga, e é meu desejo que saiba disso; você foi e eu o acompanhei, desgostosa e sem opção, a cada nova queda. Foram tão profundas, tão numerosas, e sei que foi você quem as colocou no meu caminho, como a me desafiar.

Vi caírem de minhas mãos os apegos que você me fez aprender a apreciar em sua brincadeira de efemeridade. Se desfiaram, um por um, em um desamparo irremediável; somente você permaneceu, contrário ao que fez de mim, descontinuada exaustão.

Você usou do que pode para me jogar à superfície. Sufocada, recorri a ela para buscar alívio e quase fui por ela envolvida. Tivesse cedido aos seus expedientes, não teria ido ao reencontro no qual ainda me agarro para não me tornar oca. Meu coração ainda reflete esses ruídos vazios que foram seus e sobrevive às custas de expectativas sem esperanças. Insiste, existe, flexiona e relaxa. E assim caminho pela existência: apesar de você e apesar de mim mesma.

Sei que irá embora em breve, em um desalento semelhante ao que me deixará de herança. Não lamento essa perda; apenas anseio que, enfim, admita me abandonar, para que eu possa me erguer ainda mais uma vez e enfrentar, com olhos limpos e mãos abertas, o que me houver pela frente.

Share


do triângulo do drama.

publicado por Tatiana Leão in artigos, pessoal
12 28th, 2010

Não me lembro mais com precisão como encontrei o texto que publico agora neste post. Sei que procurava materiais sobre Poliamor, em uma pesquisa pessoal intensa que fazia sobre o tema por volta de 2003/2004. Uma coisa levou a outra e, quando me dei conta, tinha ao alcance de alguns cliques um dos textos que mais moveriam a minha vida dali por diante. Soube disso no momento em que terminei de lê-lo e foi por isso mesmo que resolvi, já na época, traduzi-lo.

É claro que a tradução não saiu tão boa quanto o texto merecia, o traduzir ainda não tinha sido feito minha profissão, mas serviu para repassar o texto para algumas pessoas.

Minha intenção inicial era oferecê-lo como um presente àqueles que dele pudessem tirar proveito, da mesma maneira como eu faço, ano após ano, quando o releio. Seu impacto nunca foi diminuído, pelo contrário: a cada reencontro, percebo um novo viés que havia passado desapercebido nas leituras anteriores e me trazem novas perspectivas.

O mesmo aconteceu agora quando, vendo um amigo precisar de forças, pensei que era o momento de compartilhá-lo da maneira mais ampla que estivesse ao meu alcance. Antes, achei por bem passá-lo novamente pelos meus próprios olhos e esclarecer o que carecia esclarecimento, acertar o que carecia de acerto. Oferecer, assim, o melhor que pude e esperar, em troca, que estas palavras movam outras vidas.

Estou certa de que moverá.

Algumas observações:

- É bom ressaltar que não sou a autora do texto original em inglês, sou responsável somente pela tradução para o português.
-O texto original foi modificado pela autora em 2008. Não gostei do fluxo da versão revisada, apesar de notar que o conteúdo permanece o mesmo. Optei, portanto, por oferecer a tradução da versão antiga.
- O texto em inglês citado acima pode ser encontrado aqui.
- Você pode baixar uma cópia em PDF do texto aqui.
- Sugestões e correções são bem-vindas, desde que sejam educadas.
- Mais bem-vindos ainda são comentários, opiniões e debates. Os comentários  estão abertos.


ler mais »

Share