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do suposto.
autor: Tatiana Leão

É no relance desta vigília que se esvaem
todas as possibilidades. Atenta, não sóem
em vão os tempos que desejei, apenas
guardo nas palavras mais tensas o ardil
do objeto lodoso na minha caça
a existir e vislumbrar.
Não é concedido que se proclame
qualquer desvio ou celeridade da trilha
que se forma diante destes pés exauridos.
Se, por um lado, a soma das suas passadas
não adjetiva nenhuma exclamação exaltada,
a recordação permanece e clama por si.
Que tormenta, qual arrebatamento
me tomará neste dia, quantos laços
hão de cair, onde estará então a chama
reservada desde sempre para o segundo
único, reverberante,
que terá lugar depois da passagem?
É força, é força, e além.
ler comentários (0)de 2011 para 2012
autor: Tatiana Leão
E, tantas emoções depois, 2011 chega aos seus derradeiros momentos.
Com promessas de infortúnios mil ele veio, no rastro do ano anterior. Chegou arrasado, reunindo forças, sobrevivente; seus primeiros suspiros eram desespero e angústia. Mesmo a esperança, aquela que surge não se sabe de onde e nem porquê, o acompahou lentamente, atrasada, como quem busca refúgio de um temporal que parece não ter fim.
Mas a luta foi dele, e houve tantas, repetidas, repentinas, tantas quase perdidas, que foi surpresa quando elas começaram a mostrar que havia, sim, um lugar ao sol para o êxtase. Pouco a pouco, se desdobraram satisfações, amores, vitórias, delícias. Não que os percalços fossem poucos, não foram, e intensos; superação foi palavra de ordem, e 2011 a seguiu obediente e envolvido, como era preciso e devido.
Agora que se vai, se despede ainda com ares de vencedor. Deixa em seu lugar um quê de triunfo inteligente, consciente de que o futuro não será fácil ou simples, mas que será possível.
E, com possibilidades, vai se construindo 2012. Que venha!
do monólogo de si
autor: Tatiana Leão
Solilóquio
Como fui, passando delicadamente
Nas tragédias alongadas vida adentro,
Deixou assombrada a figura restante que sou eu.
O tempo que se deslizou por mim
Manchou com seus êxitos a pele
Que recobre uma máscara simplista de existência.
Não houve, não há, não haverá mais
O que se recorte ou delineie assim
Nos trajetos a traçar e percorrer, vagarosamente.
Abstrata é a esperança, e recorrer
A ela é pobre, insuficiente socorro
Para amainar meu descanso, todo ele desalento.
Os escuros profundos que são tecidos
Nos recônditos insistentes perseguidos
Fogem à luz, fogem à vida, fogem ao amor, fogem a tudo.
de dois mil e dez.
autor: Tatiana Leão
Não lhe tenho apego, ano que se prolonga, e é meu desejo que saiba disso; você foi e eu o acompanhei, desgostosa e sem opção, a cada nova queda. Foram tão profundas, tão numerosas, e sei que foi você quem as colocou no meu caminho, como a me desafiar.
Vi caírem de minhas mãos os apegos que você me fez aprender a apreciar em sua brincadeira de efemeridade. Se desfiaram, um por um, em um desamparo irremediável; somente você permaneceu, contrário ao que fez de mim, descontinuada exaustão.
Você usou do que pode para me jogar à superfície. Sufocada, recorri a ela para buscar alívio e quase fui por ela envolvida. Tivesse cedido aos seus expedientes, não teria ido ao reencontro no qual ainda me agarro para não me tornar oca. Meu coração ainda reflete esses ruídos vazios que foram seus e sobrevive às custas de expectativas sem esperanças. Insiste, existe, flexiona e relaxa. E assim caminho pela existência: apesar de você e apesar de mim mesma.
Sei que irá embora em breve, em um desalento semelhante ao que me deixará de herança. Não lamento essa perda; apenas anseio que, enfim, admita me abandonar, para que eu possa me erguer ainda mais uma vez e enfrentar, com olhos limpos e mãos abertas, o que me houver pela frente.
do triângulo do drama.
autor: Tatiana Leão
Não me lembro mais com precisão como encontrei o texto que publico agora neste post. Sei que procurava materiais sobre Poliamor, em uma pesquisa pessoal intensa que fazia sobre o tema por volta de 2003/2004. Uma coisa levou a outra e, quando me dei conta, tinha ao alcance de alguns cliques um dos textos que mais moveriam a minha vida dali por diante. Soube disso no momento em que terminei de lê-lo e foi por isso mesmo que resolvi, já na época, traduzi-lo.
É claro que a tradução não saiu tão boa quanto o texto merecia, o traduzir ainda não tinha sido feito minha profissão, mas serviu para repassar o texto para algumas pessoas.
Minha intenção inicial era oferecê-lo como um presente àqueles que dele pudessem tirar proveito, da mesma maneira como eu faço, ano após ano, quando o releio. Seu impacto nunca foi diminuído, pelo contrário: a cada reencontro, percebo um novo viés que havia passado desapercebido nas leituras anteriores e me trazem novas perspectivas.
O mesmo aconteceu agora quando, vendo um amigo precisar de forças, pensei que era o momento de compartilhá-lo da maneira mais ampla que estivesse ao meu alcance. Antes, achei por bem passá-lo novamente pelos meus próprios olhos e esclarecer o que carecia esclarecimento, acertar o que carecia de acerto. Oferecer, assim, o melhor que pude e esperar, em troca, que estas palavras movam outras vidas.
Estou certa de que moverá.
Algumas observações:
- É bom ressaltar que não sou a autora do texto original em inglês, sou responsável somente pela tradução para o português.
-O texto original foi modificado pela autora em 2008. Não gostei do fluxo da versão revisada, apesar de notar que o conteúdo permanece o mesmo. Optei, portanto, por oferecer a tradução da versão antiga.
- O texto em inglês citado acima pode ser encontrado aqui.
- Você pode baixar uma cópia em PDF do texto aqui.
- Sugestões e correções são bem-vindas, desde que sejam educadas.
- Mais bem-vindos ainda são comentários, opiniões e debates. Os comentários estão abertos.




