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do coração ardente.
autor: Tatiana Leão
Um coração ardente
Lygia Fagundes TellesO velho voltou-se para a janela aberta, que enquadrava um pedaço do céu estrelado. Tinha uma bela voz:
“… Mas eu dizia que na minha primeira juventude fui escritor. Pois é, escritor. Aliás, enveredei por todos os gêneros: poesia, romance, crônica , teatro… Fiz de tudo. E mais gêneros houvesse… Meti-me também na política, cheguei a escrever uma doutrina inteira para o meu partido. Mergulhei ainda na filosofia, ô Kant, ó Bergson!… Achava importantíssimo meu distintivo de filósofo, com uma corujinha encolhida em cima de um livro.”
Calou-se. Havia agora no seu olhar uma expressão de afetuosa ironia. Zombava de si próprio, mas sem amargor.
“Eu não sabia que não tinha vocação nem para político, nem para filósofo, nem para advogado, não tinha a menor vocação para nenhuma daquelas carreiras que me fascinavam, essa é a verdade. Tinha apenas um coração ardente, isto sim. Apenas um coração ardente, mais nada.”
ler comentários (0)do prazer e amor das palavras.
autor: Tatiana Leão
Recebi este vídeo via Twitter, em um daqueles links nos quais clico preguiçosamente sem ter muita ideia da qualidade ou relevância do conteúdo. Nos primeiros 30 segundos, meu queixo já havia caído e um prazer indescritível tomou conta de mim, justamente o prazer que só palavras bem ditas formando ideias bem colocadas podem provocar.
Trata-se de um discurso de Stephen Fry sobre as palavras, a linguagem, o idioma e o amor por eles. Ao que parece, a fala fará parte de um programa de TV apresentado por ele na BBC de Londres, chamado Planet Word. Me fascina a ideia de um programa totalmente dedicado a essa tríade, assim como me encantou o vídeo. Bem que isso podia colar por aqui – o português é uma língua tão complexa e tão linda, mesmo sofrendo agressões constantes por parte daqueles que a utilizam.
A transcrição da fala pode ser lida abaixo do vídeo. Os negritos são meus.
Aproveite; não é toda hora que se tem a oportunidade de ser tocado por ferramentas tão cotidianas e banalizadas de comunicação quanto simples palavras.
do novo mês.
autor: Tatiana Leão
Sinto que o mês presente me assassina,
As aves atuais nasceram mudas
E o tempo na verdade tem domínio
sobre homens nus ao sul das luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de um cristo preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)
Há panos de imprimir a dura face
À força de suor, de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio
Amen, amen vos digo, tem domínio
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.
Mário Faustino, chegou a mim pela Juliana Fausto.
da casa.
autor: Tatiana Leão
so true!
photostream memorável, recheado de arte nonsense e algumas crueldades. para conferir, clique na imagem acima com toda a maldade do seu coração.
das ilustrações descoloridas.
autor: Tatiana Leão
algumas dessas ilustrações apareceram esses dias no meu google reader através do feed do site ffffound! (para o qual ainda estou esperando/procurando convites). melancólicas e descoloridas, achei-as tão lindas que não pude deixar de compartilhá-las.


clique nas imagens acima para ampliá-las.
a ilustradora que as produziu chama-se stella im hultberg, nascida na coréia do sul e atualmente residindo em nova york. é possível conferir mais ilustrações, esboços e afins no seu site, livejournal e flickr.





