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arquivo de April 13th, 2008
do que resta.
autor: sweethell
não é fácil, querido, saber o que se passa; também eu o sei. acompanhar esse fluxo desconcertado de acontecimentos só seria possível se estivéssemos dele desconectados, como seres avulsos que observam uma história que lhes fosse alheia. ela nos toca e, nesse toque, toda sensibilidade surge como uma afronta pronta para nos devorar. devorará se puder - devorará se deixarmos.
ainda deixamos, querido, porque não conhecemos ainda outra maneira, não temos o hábito de conjugar determinados verbos e, assim, não somos capazes de ter mais do que uma visão nublada e subreptícia do que vamos lentamente deixando para trás. não vemos esse rastro, completo de tensão e fúria, que com seu peso tende a esmagar toda possibilidade de dignidade, ventura, força.
não somos fortes, querido, não o suficiente agora para fazermos o que for preciso para nos ampararmos naquilo que foi, um dia, a nossa essência; somente isso já não bastará para que a consciência do que nos restou seja mais do que essa mágoa corrosiva que insistimos, sem perceber, em deixar que nos consuma.
e nos consumimos, querido, talvez na esperança de que o não restar mais nada nos salve, enfim, daquilo em que nos tornamos.
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