


arquivo de June, 2003
do que é, e como é.
autor: sweethell
desta vez, sem impressões.
sinto que há necessidades também diferentes, ainda que semelhantes: o movimento circular pode tornar a estar onde começou, mas não encontra lá o mesmo ponto do ínicio, ainda que haja, implicitamente, o recomeço depois da volta.
todo o caminho percorrido colabora à mudança que encontra ao fim do ciclo: cada espaço com sua ação encadeando à outros um espírito único, na gravidade de um universo que se esvai com o próximo passo, ainda que preserve nele o que houve em si.
porém, se há a diferença, o que cabia antes perde o sentido: então é que se percebe que o que se guardou talvez tenha pouco valor no horizonte que se estende adiante, como uma árvore seca preserva ainda a memória de suas folhas.
construir assim o novo, sem a força que havia antes deste percorrer: e sem sequer encontrar um reflexo no que é alheio, sem admiração, sem intensidade, sem entrega, ainda que se tenham passado menos que os trinta anos.
o encontro do isolamento imutável que se pensava tão pouco tangível: é esta solidão, uma observação sem fim das vidas que não são minhas, um fim que existe sem um meio.
ler comentários (0)da morte que ronda.
autor: sweethell
não, não é o fim que me atinge, não a mim que já vi a outros fins, fora e dentro de mim, inúmeros e sempre veementes em seus desdobramentos. nem ao menos é a presença carregada de nostalgia do cheiro dela, a que já desejei e me deixou só, desejando e levando consigo outros como eu a levava comigo. nada disso, porque não há mais o que ver aí: o que havia foi se desfazendo com a memória que se esvaziava.
e agora eu vejo nele um pouco do que havia em mim: uma desesperança que não elimina a esperança, estrangulando-a no limite - uma dor que não se mostra como dor, mas como um desânimo que também não é desânimo - um peso que não se carrega mas é o peso maior que se leva sempre, nesta existência inconstante, desde que começou, todo o tempo:
a certeza, solitária em seu estado de certeza permanente, eu vejo nele o peso que lhe recai sem que esteja para ele preparado como nunca se pode estar, de que vamos todos morrer.

