


arquivo de June, 2002
do despertar.
autor: Tatiana Leão
em algum momento, eu vi os dias em que sentia muito e buscava algo ficarem cada vez mais para trás, e outros dias virem por substituí-los sem promessa nenhuma de renovação; vi que os novos não trariam o espanto que movia as minhas ânsias atrás de mais espanto, e cada vez mais espanto, para preencher de beleza e agonia uma existência ordinária. uma calmaria inerte se fazia no que antes era fúria. a distância entre o passado e o presente se alongava, e encurtavam as expectativas de mudança. a sedação de todo o resto seguia, como a atrofia inevitável de todo movimento nulo. talvez fosse o equilíbrio: parado, estático, imutável, miserável.
quando eu parei enfim, eu vi. quando vi assim, desisti. quando desisti por fim, quase me resignei. e então algo acordou sem que eu percebesse, aos poucos e de leve, criando a si próprio como para acordar essa imobilidade e desequilibrar outra vez.
***
os dias de antes e os dias por eles substituídos: todos, em sua inexorabilidade, invejam os dias novos e ainda mais os que estão por vir.
ler comentários (4)da pausa e um pouco de informação.
autor: Tatiana Leão
pausa breve dentro de outra pausa: acometida por uma enxaqueca bastante incômoda (um adjetivo bem leve, dada a intensidade da dita), estou em afastamento obrigatório do brilho do monitor por alguns dias. chega de aura por agora, ao menos até as coisas acalmarem here inside my head.
para não ficar só no aviso, uma informação e uma dica.
a boa nova: alguns dos colunistas/jornalistas do no. se reuniram e criaram o no mínimo, só com colunas. melhor aproveitar enquanto sobrevive.
para acompanhar a novidade: qwer, make a shorter link e tiny url. será bem mais prático passar adiante com eles.
ainda da distinção feliz de gênero, e tudo mais.
autor: Tatiana Leão
ah, sim… ainda tem algo muito importante:
espalhem a notícia.
em capítulos, pela notícia mais recente, tudo de uma vez, não importa: espalhem.
assim a pequena estará sempre cada vez mais bem-acompanhada, já aqui no nosso mundo de fora, com a atenção à história do começo da sua vida. e a de um novo começo da minha, também.
da distinção feliz de gênero.
autor: Tatiana Leão
um parêntese no contar dessa história, sobre a própria história, tão importante:
é uma menina.
ontem, na ultrassonografia morfológica, não restaram dúvidas. e o seu jeitinho, cobrindo o rosto com as mãozinhas tão pequenas como se incomodada com a indiscrição no seu apertado lar de águas, foi um presente a mais.
estamos encantados. e muito felizes.

