


arquivo de May, 2002
do cuidado e o susto.
autor: sweethell
o ginecologista foi o primeiro médico a visitar, pelo simples fato de não ser coberto por nenhum plano de saúde e, portanto, não depender de esperar a carência de um para as consultas. já fazia um bom tempo desde a última visita, algo em torno de dois anos – não encontrei um bom ginecologista associado ao meu antigo plano em são paulo que não fosse extremamente fora de mão.
descarreguei por lá não só os supostos problemas hormonais como os supostos gastrointestinais, também. diante dos sintomas e do meu histórico de mais de seis anos de consultas, saí de lá com desconfianças reforçadas de hipotiroidismo, problemas de vesícula e cisto suspeito nos ovários. nas mãos, vários pedidos de exames de hormônios e três ultrassonografias – uma pélvica para checar a vesícula e outros órgãos e mais duas para visualizar o aumento dos ovários.
de todos os pedidos, o primeiro a ser liberado foram as ultrassonografias. marcado o exame para a quarta-feira, dia 20 de março, lá estava eu no hospital são lucas, naquela exata data, aguardando a minha vez de fazer mais uma das centenas de ultrassonografias da minha vida.
um aviso dizia para que qualquer mulher grávida ou com suspeita de gravidez comunicasse seu estado à recepção para que as devidas precauções em relação à área de raio-x, perigosamente próxima às salas de ultrassonografia, fossem tomadas. eu não sabia porque, mas preferi manter distância dali enquanto esperava.
com algum atraso, entrei na consulta. a sala tinha pouco espaço, e nenhum monitor disponível para o paciente, somente o do médico, cuja visualização era um tanto complicada assim, deitada em uma cama com o baixo-ventre coberto por lubrificante. o médico, bastante bem humorado e prestativo, começou o exame silenciosamente, e logo checou algo nos pedidos.
perguntou: “por que você está fazendo estas ultrassonografias?”, ao que respondi sobre a suspeita de cisto nos ovários e problemas de vesícula. “ah, sim… tem sentido muito enjôo, azia, alguma tontura?”, respondi que sim, azia perene e enjôos freqüentes, mesmo que com pouquíssimos episódios de tontura. “e você está comendo direito, tatiana?”, respondi que nem tanto, pior do que gostaria, pois tudo que comia me causava um mal-estar enorme.
“ah, eu imagino”, ele disse, “mas você tem de fazer um esforço para comer melhor, por que agora você come por dois.”
eu não lembro se entendi o que ele disse ou se somente me virei para ver o monitor que ele virava para a minha direção. mas lembro perfeitamente, e sei que não esquecerei nunca, de ver ali, na imagem do que havia dentro de mim, uma vida que não a minha, não passando dos 3,2 centímetros.
ler comentários (1)do mal-estar que encobria a felicidade.
autor: sweethell
eu passava mal todos os dias, quase sempre com os mesmos sintomas: um fogo no estômago, acompanhado de algum enjôo e algumas tonturas. sintomas muito parecidos com os que tive quando, trabalhando na conspiração, me deparei com uma gastrite nervosa causada por stress excessivo.
a diferença é que eu não estava estressada desta vez.
além disso, imaginei que meus hormônios, que sempre foram um tanto descontrolados, estivessem em uma de suas crises. quando isso acontece, alguns fenômenos estranhos acontecem concomitantemente em meu corpo, como aumento de peso repentino e aumento da oleosidade da pele sem motivo aparente, além de outros sintomas. pensei nisso por causa das cólicas e do aumento dos seios desacompanhados de menstruação.
mas meus seios nunca aumentaram nem senti cólicas fora da menstruação nem mesmo nas crises hormonais.
o aumento de peso e o excesso de cansaço geraram desconfianças de hipotiroidismo. afinal, uma pessoa que sente absoluta necessidade de dormir 10 horas por dia, é naturalmente quieta no tocante à qualquer tipo de exercício físico, tem as unhas fracas e tendência a excesso de peso é forte candidata à doença, que pode se manifestar em maior ou menor grau durante a vida.
os sintomas eram parecidos, ainda que parecessem estar fora de proporção.
sem dúvida, eu precisava me cuidar mais: devo estar muito doente, pensei. depois de muito tempo sem visitar médicos de qualquer especialidade, me sentia muito debilitada com todas estas mazelas ao mesmo tempo. como estava sem plano de saúde, tratei de associar-me a um para começar a maratona de consultas: gastroenterologista, ginecologista e endocrinologista.
no fim das contas, eu não estava nem um pouco doente.
do óbvio grande irmão.
autor: sweethell
mesmo atrasado, não dá para não chamar a atenção para o post do daniel sansão sobre o big brother. concordo sobre a parte de comer muito jiló em especial.
do corte abrupto.
autor: sweethell
tanto para dizer, tanta vontade de fazê-lo, tanto fascínio…
e a telemar corta o telefone por puro despeito durante uma semana.
tudo bem. só que agora estou com sono. então vou estender um pouquinho o silêncio.
só mais um pouco.
da nova imagem.
autor: sweethell
a nova foto ali em cima, ocupando o lugar da rosa vermelha de antes, é de um fotógrafo chamado akiko ida, e veio de algum banco de imagens por aí. foi um pouco modificada por mim. achei mais condizente.
não, não é a minha barriga. ainda.


