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o homem planeja e deus ri. — bill watterson

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arquivo de April, 2002

VI.

eu tenho a síndrome dos ovários policísticos.

uma tríade de sintomas caracteriza essa síndrome: a taxa elevada de hormônios masculinos, a irregularidade dos ciclos menstruais e a infertilidade. essa última não só é reversível como um tanto flexível; apesar de uma mulher portadora da síndrome não ovular ou ovular muito pouco (a síndrome tem esse nome por causar cistos nos ovários, como resultado de ovulações mal-sucedidas - daí a irregularidade menstrual), quando a ovulação acontece pode resultar em uma gravidez normalmente. os ciclos também podem ser tratados com pílulas anticoncepcionais específicas, que além de darem o suporte devido à mulheres que desejam ter certeza de que nao engravidarão, regularizam ‘à força’ os ciclos. já a taxa elevada de hormônios masculinos não tem exatamente tratamento específico - nem causa nenhum problema.

meu primeiro diagnóstico para a síndrome chegou, após muitas ultrasonografias e exames de sangue, aos 16 anos. o ginecologista queria que eu operasse os ovários, uma solução bastante antiga e um tanto violenta para o problema. eu disse não: não queria engravidar, não me apetecia a possibilidade de ficar menstruada todo o mês quando poderia passar por esse desconforto uma vez a cada três meses, quando muito, e os sintomas androgeinizantes nem de longe eram fortes o suficiente para me incomodar. o novo ginecologista concordou comigo e me receitou uma pílula, que comecei a tomar ainda virgem. depois, parei. passado mais um tempo, voltei. parei novamente. e, em todas as vezes que parava, a síndrome mostrava a que veio, com seus sintomas de sempre.

agora, eu não sei mais como tudo isso vai ficar.

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04 23rd, 2002

isso é lindo demais. lindo demais.

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04 22nd, 2002

V.

eu nunca tinha ouvido falar de sexo quando, um dia, aos sete anos, minha madrinha veio me mostrar um livro. os desenhos, que pareciam montagens 3D em papel como se costuma ver em alguns cartões de congratulações em livrarias, eram interessantes: gatinhos e cachorrinhos e filhotes de ambos em profusão. avançando nas páginas, os desenhos foram ficando engraçados, mostrando uma mulher e um homem, razoavelmente gordinhos, nus e meio sem jeito. depois, os dois abraçados em uma cama.

naquele dia foi a primeira vez em que ouvi falar de sexo. eu entendi o recado do livro: sexo era uma coisa que se fazia para se ter filhos. e pronto.

conforme fui crescendo, ouvi falar de sexo muitas outras vezes. era muito estranho: as pessoas pareciam gostar muito de falar sobre algo que me pareceu, naquela primeira vez, tão monótono: as pessoas ficavam ali, uma em cima da outra, o pênis entrava na vagina e saía o esperma - qual era a grande questão nisso? ninguém havia me explicado que poderia ser diferente. sexo era para ter filhos, ponto.

quando eu fiz sexo pela primeira vez, eu entendi tudo.

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lembra que outro dia desses eu falava sobre alguns serviços que eu achava serem merecedores de elogios? pois vou falar de um serviço, mais uma vez. dessa vez não vai ser para recomendar, mas para fazer rir. porque essa história é absolutamente risível, entre outras coisas.

na época em que comecei a acessar a internet de casa, a operadora telefônica no rio de janeiro ainda era a telerj, odiada por 99% dos cariocas. naqueles tempos, minha conexão era bastante razoável para os padrões, com alguns engasgos ocasionais. esses engasgos eram geralmente causados por problemas de ruídos de linha, fatais para transmissão de dados, por menores que sejam. resolver tudo era simples: eu ligava para o telefone de consertos da telerj, guardava um número de protocolo, esperava no máximo dois dias e eles sempre consertavam o problema. sem explicações estapafúrdias, sem enrolações, sem visitas desnecessárias e incovenientes de técnicos que de técnicos não têm nada.

veio a telemar ocupar o lugar da telerj, com a promessa de melhorar todos os serviços que a antiga operadora, dizia-se, não dava conta de cuidar. a salvação da lavoura durou pouco: no primeiro sinal de problemas de conexão, repeti o procedimento que seguia com a telerj. esperei, esperei… e nada da linha - e da conexão - voltar ao normal. liguei novamente para reclamar, esperei mais, e nada. passei a ligar duas vezes por semana e tudo o que conseguia eram explicações desencontradas e desculpas e desculpas e desculpas. um dia resolveram mandar um técnico aqui em casa, que trocou toda a fiação e refez as extensões. e não adiantou nada. nunca. e assim se passaram anos, com a telemar jamais tendo conseguido solucionar um problema que, com a telerj, levava dois dias no máximo para ser resolvido.

em dezembro do ano passado, resolvi arriscar as minhas fichas, e contratei o serviço de adsl da telemar, o velox. nem o mais baixo dos pessimismos conseguiria me fazer imaginar que teria tanta dor de cabeça com um serviço tão simples e tão caro. foram horas seguidas tentando lidar com um atendimento mal-orientado, suportes que não faziam a menor idéia do que estavam fazendo, cadastros intermináveis que só faltavam perguntar o nome da minha sogra, e problemas que pareciam não acabar nunca.

treinando todo meu zen, continuei assinante do serviço até o fim de março, quando resolvi cancelá-lo não só por um corte radical de verbas supérfluas como por não aguentar mais ter tantos problemas com algo que deveria ser uma solução. no início de abril o velox foi finalmente cortado.

supresa: minha conexão discada está maravilhosa - quase melhor do que a velocidade que eu tinha com o velox. o problema de anos finalmente foi resolvido - sabe-se lá como.

é ou não é para rir?

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do apelido escolhido.

autor: sweethell
04 18th, 2002

eu acho tão engraçado que, depois de cinco anos, ainda existam pessoas que se assustam, criticam ou até mesmo julgam a minha personalidade por conta do meu nick - sweethell.

prestam tanta atenção no hell que esquecem que, antes dele, há o sweet

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