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arquivo de February, 2002

do que acompanha perene.

autor: Tatiana Leão
02 22nd, 2002

A Sombra

Giuseppe Ghiaroni

Numa noite daquelas silenciosas

como um campo vastíssimo de neve,

vi levantar-se a minha sombra leve

entre as leves cortinas vaporosas.

Na preguiça de um corpo sonolento

a que mais nada desconcerta e abala,

vi minha sombra a se mover na sala,

embora eu não fizesse um movimento.

Numa estranha e imprecisa irritação

por tal exibição de independência,

apenas lamentei a impertinência

de nem da minha sombra ser patrão.

E ouvi a sua voz (E “voz” eu digo,

mas não partiam sons da vaga imagem.

Partiam intenções, numa linguagem,

que eu tento descrever e não consigo.)

Ouvi seu pensamento, e ele falava

triste como o crepúsculo dos sábios.

Em cada movimento dos seus lábios,

lançava uma ironia e me humilhava.

“Maldita a hora em que nasci contigo”,

dizia a sombra sem piedade alguma.

“Nenhuma outra como eu! Nenhuma

segue uns passos inúteis como eu sigo!”

“Que furiosa, que danada eu fico,

quando penso que és tu quem me projeta!

Ambicioso demais para um poeta,

mas poeta demais para ser rico!”

“Que esperas tu da vida? Que procuras?

Que amas? Que odeias? Que desprezas? Nada!

Uma informe consciência claro-escura

jogada pelo mundo e abandonada!”

“E eu te sigo, sem forças e sem nome,

como um cão achatado na parede!

Sabendo tudo de que tu tens sede,

sabendo tudo de que tu tens fome!

“Sede e fome! Eis o que és. Eis a verdade!!

E eu sigo esse sedento, esse faminto

entre os túneis sem fim do labirinto

que o cerca de desdém e hostilidade!

“Por que é que tu não morres e não deixas

que eu me dissolva em plena liberdade?

Em vez de acompanhar tua vaidade,

saber a tua mágoa e ouvir-te as queixas!

“Aonde me levas tu que amaste um mundo

que era o mundo pessoal dos redivivos?

No século dos homens coletivos,

que te resta, solene vagabundo?

“Tudo em que creste com a dependência

e a fé com que um mendigo crê na esmola,

falhou! E se falhou na existência,

que te afasta de um tiro de pistola?

“Creste em teus versos como um dom bendito,

e eu sei que mágoas eles te custaram.

Mas pela comoção que despertaram,

bem poderias nunca ter amado!

“Então creste na glória dos felizes

mas efêmeros ídolos vulgares.

Teu nome foi criado em lupanares

e os idiotas foram teus juízes.

“O dinheiro, pensaste, concretiza,

a liberdade! E então, as obras-primas.

Mas o dinheiro se desvaloriza

mais que o ganho e mais que as tuas rimas.

“Creste nos filhos! Doces esperanças!

Mas já vês a tristeza de outros pais!

Vês que o teu mundo não existe mais

e que habitas num mundo sem crianças!

“Portanto, se não vais a parte alguma,

porque ainda me arrasta e me levas?

Se vês que o teu espírito se esfuma,

por que esperas, covarde, pelas trevas?

………………………………………………………………

A manhã clareou rosada e linda

A minha sombra, nos degraus da escada,

colheu meus olhos. Eu falei “Coitada”,

mas vim andando, e vou andando ainda.

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02 22nd, 2002

sete dias sem internet e quatro sem telefone. ainda estou tentando avaliar com alguma precisão se a dupla telemar/velox me fez um desfalque ou um favor.

em todos os sentidos. ou quase.

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do atraso de carnaval.

autor: Tatiana Leão
02 8th, 2002

se antes estava se arrastando, a atitude mais coerente e’ postergar para a quarta-feira de cinzas.

nada mais condizente, inclusive, que cinzas.

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