


arquivo de February, 2002
do que acompanha perene.
autor: Tatiana Leão
A Sombra
Giuseppe Ghiaroni
Numa noite daquelas silenciosas
como um campo vastíssimo de neve,
vi levantar-se a minha sombra leve
entre as leves cortinas vaporosas.
Na preguiça de um corpo sonolento
a que mais nada desconcerta e abala,
vi minha sombra a se mover na sala,
embora eu não fizesse um movimento.
Numa estranha e imprecisa irritação
por tal exibição de independência,
apenas lamentei a impertinência
de nem da minha sombra ser patrão.
E ouvi a sua voz (E “voz” eu digo,
mas não partiam sons da vaga imagem.
Partiam intenções, numa linguagem,
que eu tento descrever e não consigo.)
Ouvi seu pensamento, e ele falava
triste como o crepúsculo dos sábios.
Em cada movimento dos seus lábios,
lançava uma ironia e me humilhava.
“Maldita a hora em que nasci contigo”,
dizia a sombra sem piedade alguma.
“Nenhuma outra como eu! Nenhuma
segue uns passos inúteis como eu sigo!”
“Que furiosa, que danada eu fico,
quando penso que és tu quem me projeta!
Ambicioso demais para um poeta,
mas poeta demais para ser rico!”
“Que esperas tu da vida? Que procuras?
Que amas? Que odeias? Que desprezas? Nada!
Uma informe consciência claro-escura
jogada pelo mundo e abandonada!”
“E eu te sigo, sem forças e sem nome,
como um cão achatado na parede!
Sabendo tudo de que tu tens sede,
sabendo tudo de que tu tens fome!
“Sede e fome! Eis o que és. Eis a verdade!!
E eu sigo esse sedento, esse faminto
entre os túneis sem fim do labirinto
que o cerca de desdém e hostilidade!
“Por que é que tu não morres e não deixas
que eu me dissolva em plena liberdade?
Em vez de acompanhar tua vaidade,
saber a tua mágoa e ouvir-te as queixas!
“Aonde me levas tu que amaste um mundo
que era o mundo pessoal dos redivivos?
No século dos homens coletivos,
que te resta, solene vagabundo?
“Tudo em que creste com a dependência
e a fé com que um mendigo crê na esmola,
falhou! E se falhou na existência,
que te afasta de um tiro de pistola?
“Creste em teus versos como um dom bendito,
e eu sei que mágoas eles te custaram.
Mas pela comoção que despertaram,
bem poderias nunca ter amado!
“Então creste na glória dos felizes
mas efêmeros ídolos vulgares.
Teu nome foi criado em lupanares
e os idiotas foram teus juízes.
“O dinheiro, pensaste, concretiza,
a liberdade! E então, as obras-primas.
Mas o dinheiro se desvaloriza
mais que o ganho e mais que as tuas rimas.
“Creste nos filhos! Doces esperanças!
Mas já vês a tristeza de outros pais!
Vês que o teu mundo não existe mais
e que habitas num mundo sem crianças!
“Portanto, se não vais a parte alguma,
porque ainda me arrasta e me levas?
Se vês que o teu espírito se esfuma,
por que esperas, covarde, pelas trevas?
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A manhã clareou rosada e linda
A minha sombra, nos degraus da escada,
colheu meus olhos. Eu falei “Coitada”,
mas vim andando, e vou andando ainda.
ler comentários (0)da falta dos serviços de telecomunicações.
autor: Tatiana Leão
sete dias sem internet e quatro sem telefone. ainda estou tentando avaliar com alguma precisão se a dupla telemar/velox me fez um desfalque ou um favor.
em todos os sentidos. ou quase.
do atraso de carnaval.
autor: Tatiana Leão
se antes estava se arrastando, a atitude mais coerente e’ postergar para a quarta-feira de cinzas.
nada mais condizente, inclusive, que cinzas.

