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arquivo de February 22nd, 2002

da passagem.

autor: sweethell
02 22nd, 2002

eu quis não me entregar, especialmente depois de algumas nuvens abandonarem a tempestade que se retroalimentava sobre mim. nesse abandono eu vi alguma esperança e, como toda esperança, essa que tive me alimentou para então me trair com uma realidade que necessitava de mais indiferença do que eu consigo dar.

eu quis não endurecer. eu sempre quis não endurecer. que seja de dor, mas eu preciso de preenchimento – e quando eu me vi completamente desnuda, exposta em tudo de mais essencial que busquei como a preservação última de mim mesma, não foi mais uma escolha, e eu me perdi.

eu quis não ficar sozinha. quando a solidão foi uma opção no passado, eu a segurei o quanto pude e não me deixei invadir até mesmo quando percebi que, mesmo que eu a deixasse, ela não me deixaria. em um passado mais recente eu não a quis; no entanto ela não era mais uma opção, e o peso de tudo o que eu tentei alienar de mim foi insuportável demais.

eu quero voltar. não a algo que não poderei – seja esse ‘algo’ o passado, a sensibilidade, a salvação -, mas sim voltar ao ponto onde eu possa me localizar. não no antes, não no depois, agora.

eu não quero mais adiar.

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do que acompanha perene.

autor: sweethell
02 22nd, 2002

A Sombra

Giuseppe Ghiaroni

Numa noite daquelas silenciosas

como um campo vastíssimo de neve,

vi levantar-se a minha sombra leve

entre as leves cortinas vaporosas.

Na preguiça de um corpo sonolento

a que mais nada desconcerta e abala,

vi minha sombra a se mover na sala,

embora eu não fizesse um movimento.

Numa estranha e imprecisa irritação

por tal exibição de independência,

apenas lamentei a impertinência

de nem da minha sombra ser patrão.

E ouvi a sua voz (E “voz” eu digo,

mas não partiam sons da vaga imagem.

Partiam intenções, numa linguagem,

que eu tento descrever e não consigo.)

Ouvi seu pensamento, e ele falava

triste como o crepúsculo dos sábios.

Em cada movimento dos seus lábios,

lançava uma ironia e me humilhava.

“Maldita a hora em que nasci contigo”,

dizia a sombra sem piedade alguma.

“Nenhuma outra como eu! Nenhuma

segue uns passos inúteis como eu sigo!”

“Que furiosa, que danada eu fico,

quando penso que és tu quem me projeta!

Ambicioso demais para um poeta,

mas poeta demais para ser rico!”

“Que esperas tu da vida? Que procuras?

Que amas? Que odeias? Que desprezas? Nada!

Uma informe consciência claro-escura

jogada pelo mundo e abandonada!”

“E eu te sigo, sem forças e sem nome,

como um cão achatado na parede!

Sabendo tudo de que tu tens sede,

sabendo tudo de que tu tens fome!

“Sede e fome! Eis o que és. Eis a verdade!!

E eu sigo esse sedento, esse faminto

entre os túneis sem fim do labirinto

que o cerca de desdém e hostilidade!

“Por que é que tu não morres e não deixas

que eu me dissolva em plena liberdade?

Em vez de acompanhar tua vaidade,

saber a tua mágoa e ouvir-te as queixas!

“Aonde me levas tu que amaste um mundo

que era o mundo pessoal dos redivivos?

No século dos homens coletivos,

que te resta, solene vagabundo?

“Tudo em que creste com a dependência

e a fé com que um mendigo crê na esmola,

falhou! E se falhou na existência,

que te afasta de um tiro de pistola?

“Creste em teus versos como um dom bendito,

e eu sei que mágoas eles te custaram.

Mas pela comoção que despertaram,

bem poderias nunca ter amado!

“Então creste na glória dos felizes

mas efêmeros ídolos vulgares.

Teu nome foi criado em lupanares

e os idiotas foram teus juízes.

“O dinheiro, pensaste, concretiza,

a liberdade! E então, as obras-primas.

Mas o dinheiro se desvaloriza

mais que o ganho e mais que as tuas rimas.

“Creste nos filhos! Doces esperanças!

Mas já vês a tristeza de outros pais!

Vês que o teu mundo não existe mais

e que habitas num mundo sem crianças!

“Portanto, se não vais a parte alguma,

porque ainda me arrasta e me levas?

Se vês que o teu espírito se esfuma,

por que esperas, covarde, pelas trevas?

………………………………………………………………

A manhã clareou rosada e linda

A minha sombra, nos degraus da escada,

colheu meus olhos. Eu falei “Coitada”,

mas vim andando, e vou andando ainda.

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02 22nd, 2002

sete dias sem internet e quatro sem telefone. ainda estou tentando avaliar com alguma precisão se a dupla telemar/velox me fez um desfalque ou um favor.

em todos os sentidos. ou quase.

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