


arquivo de January, 2002
do andar.
autor: Tatiana Leão
quantas vezes eu quis adiantar o arrastar do tempo para sair de onde me encontrava; quantas vezes eu fiz força para andar mais rápido para a frente sem olhar a poeira alta do que estava deixando para trás; quantas vezes eu quis ser mais e com esse mais ser tangível e não precisar mais voltar.
agora o que eu vejo é que eu não sabia que não conseguiria lidar com o que eu quis. agora que eu tenho, sei que tomei pouco cuidado e que é tarde demais – é semrpe tarde demais.
para a frente eu não sei se quero andar, e voltar deixou há muito de ser uma opção; o meu olhar é tão mais raso, e ao mesmo tempo tão infinito, que eu não sei se ainda quero olhar; eu abri tanto, me deixei tocar tanto, que tudo ficou um tanto mais insensível. eu entrei. não consigo mais sair, não consigo adentrar mais.
houve um tempo em que eu acreditava que a prisão estava fora de mim.
como sempre, eu me enganei.
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