


arquivo de December, 2001
da classificação e categorização das expressões humanas.
autor: sweethell
com essa insistência das músicas em ocupar meus pensamentos nos últimos dias, me lembrei de uma fala muito pertinente do cérebro do stoa sobre a relação música/grupos sociais, que se parece muito com a forma com que sempre vi a questão. vale a pena ler a entrevista completa e vale, para mim, enfatizar que stoa é uma das minhas bandas favoritas em seu estilo - sua música justifica esse fato por si só.
stoa é uma banda muito popular entre os góticos. você vê qualquer elo claro que una um a outro?
minha música não é nada mais que música. nesse sentido, ela deve atingir a todos os homens igualmente, sejam eles punks, góticos, banqueiros ou nada. eu não poderia categorizar a minha música; ela é uma forma de expressão. categorizar formas de expressão é tão forçoso quanto categorizar seres humanos. fazendo isso, me parece que você corta o canal de comunicação entre eles.
note-se que ele falou de categorização e não de classificação. enquanto uma define (e, por consequência, limita), a outra expande: é irritante ouvir alguém olhar torto para você por você gostar de determinado estilo musical, mas sem dúvida qualquer um ficaria louco ao entrar em uma hmv ou virgin da vida e tudo estar ordenado, simplesmente, por ordem alfabética de artistas, com jazz, heavy metal e mpb completamente misturados. a classificação, nesse exemplo, auxiliaria que a pessoa que procura novos projetos de industrial os encontrasse pela proximidade de projetos que ela já conhece.
uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. mas às vezes, é difícil para alguns enxergar o óbvio.
ler comentários (0)da vivência extensa.
autor: sweethell
mais música?
mais música. menos pela música em si e mais pela letra, claro. não que a música seja ruim, muitíssimo pelo contrário; mas, para estar aqui, substituindo o que eu poderia dizer, tem de estar cheia de significado. simples assim.
spawn
sometimes it seems
i have seen everything in this life
and i refuse to give in
sometimes it seems
i have seen everything in this life
and i refuse to give in
does anybody have some time left to be nice
to someone he doesn’t know, but
everybody takes what everybody needs
everybody’s peaking at some other’s seeds
and hearts filled with envy
won’t give anything to relieve
unless you sign the receipt
are we coming to the point of no return
are we still being fearless taking pride
in the moment the curtain is drawn
we’re giving the stuff to the spawn
the show must go on
sometimes it seems
i’ve seen everything in this life
but then i’m glad to be wrong
when something happens and suddenly i feel surprised
not knowing what’s to be done, cause
everybody’s being lavish and at ease and
everybody suffers from mental disease
if hope hasn’t vanished there’s something that we can believe in
until we get the meaning
are we coming to the point of no return
are we still being fearless taking pride
in the moment the curtain is drawn
we’re giving the stuff to the spawn
the show must go on.
do natal.
autor: sweethell
em todos os natais, a fútil efemeridade dos nossos humanos desejos vem nos presentear com a triste lembrança de como somos rasos: dizemos da felicidade que desejamos quando não sabemos o que ela é e se realmente sabemos querê-la para o próximo; festejamos em brincadeiras de amigo oculto com pessoas que nem sempre conseguimos nos desejar próximas; compramos presentes que não ocupam o lugar de tudo o que deveríamos fazer todos os dias para demonstrar nossos afetos; esquecemos, em nossas ceias, dos que estão sós; esquecemos que, essencialmente, estamos todos sós.
esse natal não é diferente de nenhum dos outros que já passaram, e nem melhor ou pior que os que ainda estão por vir: simplesmente é um trecho de tempo onde alguns crêem e, para quem já deixou de acreditar, algumas luzes a mais na cidade vazia de sentido ou afeto. se é feliz ou não, independe do que desejamos aos outros ou para nós mesmos.
depende somente do que está ao nosso alcance e, mesmo assim, ainda não aprendemos a tocar: o conhecimento do que somos, e o peso real do que desejamos.
the christmas song
london after midnight
in this world of snow and cold i’ll hide
in this world of ice i’ve built with pride
of all things that i’d most like to receive
there’s just one thing i really want this christmas eve
i believe
i believe
it’s you
i know you’re out there waiting in the cold
all shimmering and blue and warm to hold
but if i try and really do believe
i’ll get just what i’m waiting for this christmas eve
i believe
i believe
it’s you
nothing can compare
nothing can come close to you
nothing can compare
nothing else will ever do
buried in the snow i’ll wait for you
and keep on wishing ’till my dreams come true
i feel your touch, it melts the world away
and we’ll be together in the light of christmas day
far away
far away
with you.
do reality show popularesco.
autor: sweethell
para quem achava que o reality show que colocou a prefeita de são paulo no meio de um bunda-lelê televisivo no último domingo depois de causar semanas de frisson geral e indiscriminado na população brasileira era isolado demais para ser verdade, não falta mais nada para sair da dúvida direto para a certeza.
sorry, folks. a brincadeira acabou.
do engodo: causa perdida.
autor: sweethell
assistindo hoje à televisão, vi uma propaganda dos 25 anos da fiat. era uma dessas propagandas ‘happiness’ clássicas, com várias imagens emocionantes e um texto ao fundo. até aí, nada demais: uma das dezenas de propagandas no estilo que bombardeiam quem assiste televisão todos os dias.
o que me chamou a atenção, na realidade, foi o texto que estava sendo narrado. depois de algumas frases, percebi ser ele aquele tão espalhado pela internet e creditado à clarice lispector sobre o qual já havia comentado alguns meses atrás. na propaganda não havia nenhuma menção nao só à clarice lispector como também nenhum crédito ao/à autor/a do texto.
esta é, sem dúvida, uma causa perdida…

