


arquivo de August 6th, 2001
.039.
autor: sweethell
me lembrei então de um amigo me descrevendo, com algum pesar e alguma fascinação, como se deu o suicídio de ana cristina césar, outra poeta cotidiana de uma obra bem-sucedida em sua despretensiosidade. não tive ainda como verificar a veracidade do fato. isso só faria dele algo ainda mais intrigante, na dubiedade de julgamentos que pode suscitar.
disse-me ele que ana cristina se encontrava em fortíssima depressão (clínica, não um estado melancólico passageiro) e que, por conta disso, sua família recebeu orientação dos médicos para que nunca, em ocasião nenhuma, a deixassem só. assim, a moça sempre tinha um parente ou ‘babá’ por perto quando dormia, comia, ia ao banheiro: a todo e qualquer momento. acreditavam estar evitando, com esse cerco, o suicídio que rondava a moça já de outros tempos.
ana ainda assim manteve seu propósito. no dia 29 de outubro de 1983, deixou a janela do quarto de seu apartamento aberta e foi, sempre acompanhada, tomar banho. ensaboou seu corpo todo intensamente, até cobrí-lo de espuma. saiu do banho, correu e atirou-se da janela. escorregou pelas mãos da pessoa que tomava conta dela naquela hora.
trágico e genial. ou um desperdício de redundância, talvez.
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autor: sweethell
depois de passar um fim de semana cuja trilha sonora foi exclusivamente composta por músicas interpretadas por adriana calcanhotto e marina lima (mais aquela do que esta ainda), a única coisa que me soa urgente expôr é a minha admiração por antonio cicero.
lembro-me de ter encontrado um de seus livros, ‘guardar‘, na prateleira de ofertas de um dos sebos que costumava freqüentar no rio. usando de palavras cotidianas, sem os distanciamentos que são o subterfúgio de tantos maus poetas e escritores em geral, antonio faz uma poesia direta, porém não seca: mas sim cheia de uma sensibilidade tocante, talvez por serem tão ordinários e gastos seus temas, e ainda assim dar a eles uma roupagem de acessibilidade com a qual é impossível não se identificar. fiquei com o livro, é claro.
fui descobrir depois que poderia ter sabido de tudo isso se não fosse minhas distração: antonio é parceiro de marina em várias letras, especialmente nas do álbum ‘o chamado‘, que é justamente um de meus preferidos. mais além soube que adriana calcanhotto havia musicado seu poema ‘água perrier‘, junto com outras parcerias.
são estonteantes casamentos felizes. e a overdose de antonio cicero através de adriana e marina não pára. de certa forma, acho que não parará nunca.

