


arquivo de July, 2001
.027.
autor: sweethell
tinha esquecido de falar sobre isso, mas acho justo fazer ao menos uma pequena nota:
há algum tempo, assinei a newsletter da projekt, uma gravadora americana de darkwave e etéreo. eles têm projetos como o black tape for a blue girl, love spirals downwards, mors syphilitica, lycia, vidna obmana… enfim, é quase um oásis no meio do deserto da música pop e afins: de pop, os artistas e projetos da projekt não têm nada. não é o tipo de música que algum dia vai cair na graça das massas - é lindo demais para ser mero objeto de consumo.
além da delícia de agraciar o mundo com a música de artistas que recebem quase nenhuma atenção de gravadoras mainstream, a projekt ainda tem a qualidade única de tratar seus clientes e admiradores a pão-de-ló, mesmo nos detalhes.
recebi, na sexta-feira passada, um catálogo muito caprichado com releases, matérias e ofertas sobre boa parte dos artistas da gravadora. além de imensamente bonito de se ver, contém bastante informação relevante sobre os projetos e sobre a própria gravadora.
é bom lembrar que eu não tenho nenhum cd da projekt, somente assino a newsletter para acompanhar como andam as coisas por ali.
assim vale mais a pena gostar do que se gosta.
ler comentários (0).026.
autor: sweethell
qualquer hora dessas eu queria poder falar de cinema. deve ser ótimo poder falar de cinema… assim, com tanta tranqüilidade.
.025.
autor: sweethell
uma lembrança de outro amigo que também não acreditava em deus e foi embora muito antes do que eu gostaria:
Adequação
Marco Aurélio Pais
Não sei mais pertencer, eu me recuso,
Não me subjugo, nunca, a nenhum grupo,
Uma corrente, confraria, ou seita.
Conquisto só a mim, e então me entrego
À uma pessoa, à carne, à idéia eu nego,
Que só de idéias o inferno é feito.
Não posso ter espírito de corpo,
Não me contenho, pouco me comporto,
Minha vontade não recolho ao leito.
Sozinha eu seja, não que não me importe,
Vivo, entretanto, o que fizer mais forte
O estulto pulso que me impõe o coração:
A negação da negação da negação
- Nem o ateísmo quero por religião.
.024.
autor: sweethell
sou obrigada a participar da sua grave confissão, kazi: também sou madrinha. é triste, mas é verdade. no entanto, continuo não dando muita bola pra essa grande história de deus: minha afilhada tem quatro anos, olhos verdes e me chama de tati-dinda. pra mim, está bom assim.
.023.
autor: sweethell
não quero mais essa realidade. quero uma outra:
uma realidade que seja complexa e profunda, mas sem esse isolamento compulsório. uma que não seja fácil de lidar com, mas que tenha as compensações deliciosas das dificuldades ultrapassadas. uma que não tenha como consolo a felicidade barata vendida nas esquinas, mas que traga o alívio perene das dores que cicatrizaram em outro sentimento. uma que faça das relações de cada pessoa com todas as outras um enredo interminável de surpresas, mas que fascine e enlace pelo simples fascínio de ser. uma onde ser seja um prazer levemente interrompido, mas nunca um prazer de não ser.
não essa realidade sistemática, tosca, hermética, improvável e inacreditavelmente paupável. eu quero outra.

