

da fortaleza.
publicado por Tatiana Leão in citações
“(…) Sei que me arrisco a ficar sozinha e mesmo a um isolamento maior e absoluto, mas eu pago pra ver. Não é só atitude, é necessidade, é ser. Não vou deixar de procurar em mim, saber das minhas coisas, meu caminho, minhas verdades e ser como sou. Fiz essa escolha, essa opção na vida e acho que ela vale as consequências. Não vou parar pra me acomodar às coisas mais “bonitinhas e limpas”, às situações protetoras (que são também limitadoras e podadoras), prefiro ficar aí. No meio da briga, no meio da zona, nua. Parando em tudo aquilo que me interessar.
Somando, subtraindo, dividindo, multiplicando, tanto faz, tudo isso. Me interessa o saldo. E esse fica dentro de mim. É minha base, meu alimento, meu estofo, é disso que eu vivo. E se vivo assim é porque para mim é esencial esse tipo de busca, de vida. Não posso sair, nem me proteger erradamente, nem me acomodar, não me importa também o fim, aonde que eu vou chegar. Importa ir. Sei que me arrisco à solidão, se é isso que me perguntam, mas eu sei viver assim.”
Libertária, linda Leila Diniz. Grifos meus.
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É no relance desta vigília que se esvaem
todas as possibilidades. Atenta, não sóem
em vão os tempos que desejei, apenas
guardo nas palavras mais tensas o ardil
do objeto lodoso na minha caça
a existir e vislumbrar.
Não é concedido que se proclame
qualquer desvio ou celeridade da trilha
que se forma diante destes pés exauridos.
Se, por um lado, a soma das suas passadas
não adjetiva nenhuma exclamação exaltada,
a recordação permanece e clama por si.
Que tormenta, qual arrebatamento
me tomará neste dia, quantos laços
hão de cair, onde estará então a chama
reservada desde sempre para o segundo
único, reverberante,
que terá lugar depois da passagem?
É força, é força, e além.
Um coração ardente
Lygia Fagundes TellesO velho voltou-se para a janela aberta, que enquadrava um pedaço do céu estrelado. Tinha uma bela voz:
“… Mas eu dizia que na minha primeira juventude fui escritor. Pois é, escritor. Aliás, enveredei por todos os gêneros: poesia, romance, crônica , teatro… Fiz de tudo. E mais gêneros houvesse… Meti-me também na política, cheguei a escrever uma doutrina inteira para o meu partido. Mergulhei ainda na filosofia, ô Kant, ó Bergson!… Achava importantíssimo meu distintivo de filósofo, com uma corujinha encolhida em cima de um livro.”
Calou-se. Havia agora no seu olhar uma expressão de afetuosa ironia. Zombava de si próprio, mas sem amargor.
“Eu não sabia que não tinha vocação nem para político, nem para filósofo, nem para advogado, não tinha a menor vocação para nenhuma daquelas carreiras que me fascinavam, essa é a verdade. Tinha apenas um coração ardente, isto sim. Apenas um coração ardente, mais nada.”
E, tantas emoções depois, 2011 chega aos seus derradeiros momentos.
Com promessas de infortúnios mil ele veio, no rastro do ano anterior. Chegou arrasado, reunindo forças, sobrevivente; seus primeiros suspiros eram desespero e angústia. Mesmo a esperança, aquela que surge não se sabe de onde e nem porquê, o acompahou lentamente, atrasada, como quem busca refúgio de um temporal que parece não ter fim.
Mas a luta foi dele, e houve tantas, repetidas, repentinas, tantas quase perdidas, que foi surpresa quando elas começaram a mostrar que havia, sim, um lugar ao sol para o êxtase. Pouco a pouco, se desdobraram satisfações, amores, vitórias, delícias. Não que os percalços fossem poucos, não foram, e intensos; superação foi palavra de ordem, e 2011 a seguiu obediente e envolvido, como era preciso e devido.
Agora que se vai, se despede ainda com ares de vencedor. Deixa em seu lugar um quê de triunfo inteligente, consciente de que o futuro não será fácil ou simples, mas que será possível.
E, com possibilidades, vai se construindo 2012. Que venha!

foto: Bruno Torturra Nogueira
Eu gostaria de escrever um longo e ponderado texto para expôr minha opinião acerca da legalização das drogas, em especial da maconha, cujo debate é mais destacado. Gostaria de, nesse texto, explicar porque acredito que a legalização é o caminho para mais consciência e menos violência, não somente para os usuários como para todos os cidadãos, deste país e de todo o mundo. Gostaria que ele fosse longo, porém pouco prolixo, para que nenhum esclarecimento ficasse perdido em elucubrações. Gostaria de poder redigi-lo de uma maneira tal que houvesse pouco espaço para ter meu caráter julgado por conta das minhas opiniões. Gostaria que ele fosse a minha parte, ainda que pequena, para colaborar com o mundo como eu acredito que ele pode vir a ser, em vez do mundo tacanho, pequeno e opressor com o qual temos de lidar, todos nós, todos os dias.
Infelizmente, neste momento me é impossível, apesar da questão ser ainda mais patente depois do ocorrido em São Paulo no último domingo, quando a polícia, que deveria proteger a integridade de seus cidadãos, atacou ferozmente o grupo que pretendia expressar seu desagrado em relação às leis arcaicas e prejudiciais existentes. Essa atitude nos deixa claro o estado real das coisas no país, inclusive para aqueles que, na maior parte do tempo, acreditam que não têm nada a ver com isso, que é melhor ficar na sua, que isso é problema dos outros, que não há nada que se possa fazer.
A grande verdade por trás disso é que estamos, todos, sob o jugo de uma vasta ditadura; uma ditadura moral, uma ditadura tácita porém disposta a combater com quanta violência for necessária os ataques ao seu status quo. E se você também acha que não tem nada a ver com isso, olha à sua volta e pense que a próxima expressão a ser esmagada pode ser a sua.




