27.1.05 :::
 
Ás vezes me pergunto porque eu escolhi correr atrás de uma profissão tão complicada e competitiva como o jornalismo. Além de ter uma tara imensa por ler (ou por manter minha atenção ativa, já que eu devo ser a pessoa que fica entediada mais rapidamente que eu conheço), eu não tenho nenhuma das características típicas de jornalistas. Eu faço o maior drama pra conhecer gente nova, principalmente quando preciso fazer algum tipo de business com ela, e on top of that tenho pavor, PAVOR, de falar no telefone, as vezes até com amigos meus. Eu não sei me expressar verbalmente. Acho que me acostumei tanto a mandar emails e conversar via internet tools (IRC, icq, msn) que usar a voz pra manter o mesmo tipo de conversa me parece exaustivo. Eu não tenho tempo suficiente pra elaborar frases brilhantes e cheias de ironia e inteligência. Agora imagine ter que entrevistar pessoas. Ou conversar a respeito de matérias por telefone. Ou pior ainda, pedir emprego (ou no meu caso, estágio) via telefone. Eu tenho a impressão de que a pessoa do outro lado da linha deve pensar imediatamente "Ai, outra daquelas universitárias estúpidas e sem-graça" ao ouvir a primeira frase pronunciada pela minha voz. E mesmo se eu estiver ao vivo, face-a-face com a pessoa, provavelmente a cabeça dela vai estar rodando um filme onde a minha pessoa é dissecada e fuzilada por críticas do tipo "Mas nossa, que baixinha que ela é... e olha como ela tá nervosa, repetindo as mesmas frases uma atrás da outra! HAHAHA! Essa nunca vai ter futuro em jornalismo".

A minha segunda opção profissional também não é nem um pouco confortante. Produção de filmes envolve ter que contatar milhares de pessoas, negociar, convencer. E na grandissíssima maioria das vezes, por telefone. Deus do céu. Não vou conseguir ir a lugar nenhum se continuar assim, adiando ligações com a desculpa de estar ocupada demais. Eu nunca estou ocupada demais. Eu sempre arrumo tempo pra sentar no sofá por umas duas horas lendo e depois ainda dar uma dormidinha. Ou assistir um filme por dia. O que devia me deixar absolutamente satisfeita, mas me deixa cheia de culpa.

Eu devia estar batalhando mais pra arrumar um estágio decente, pra escrever textos
brilhantes, pra fazer mais contatos, pra fazer mais dinheiro. Tem estudantes de jornalismo que acordam 4 e meia da manhã pra trabalhar numa rádio, vão pra aula, organizam eventos com a student union e ainda editam o jornal da escola. Eu? Eu estou fazendo o mínio necessário pra não ser acusada de preguiçosa and that's it. Mandando um email aqui, outro ali, trabalhando num emprego o suficiente pra pagar minhas parcas contas, escrevendo um ou outro texto medíocre que pode ou não ser publicado ou levar uma nota boa no meu curso.

Tenho 22 anos e mesmo estando a meio caminho andado de começar uma carreira, ainda não tenho a menor noção do que quero da vida.

Sério. Tem dias que eu me pergunto porque eu não virei uma bibliotecária, já que eu gosto tanto de ler. Eu passaria uma vida de tranquilidade entre livros, interagindo com pessoas brevemente apenas pra indicar a direção de estantes, sem precisar cumprir tarefas e atividades que exijam um intelecto brilhante.
Ou eu poderia levar a vida que a Alice de Closer levava. Quando Anna pergunta a Alice se o fato de ela ser uma garçonete num café é algo temporário, Alice simplesmente responde "Não" sem grande interesse. Obviamente é, mas ela não está preocupada com o que virá depois. Sem objetivos, sem amarras, um dia após o outro, apenas vivendo.

Ás vezes eu queria ser assim.


::: posted by thais mendes at 9:16 PM


22.1.05 :::
 
22.01.05 (Sábado)

que incrível, blog funcionando bem, fotolog funcionando melhor ainda. Eu já estava a ponto de desistir da vida virtual.

*

esses dias tinha um anúncio espalhado pela universidade procurando voluntárias que topassem ser fotografadas durante o orgasmo para um projeto do curso de fotografia. Sei. No mínimo a idéia foi criada por um bando de geeks que não conseguem comer ninguém. Fiquei imaginando quem seria a ingênua que ia topar uma dessas, e de graça. Seria mais fácil contratar uma profissional.

Horas depois, todos os anúncios desapareceram misteriosamente.

**

Sogro e sogra planejando visita a Terra da Rainha em março.

Pânico Mode On.


::: posted by thais mendes at 8:40 PM


4.1.05 :::
 
17.01.05

Eu bem que tentei, mas e' realmente dificil viver sem tudo aquilo que faz a vida mais feliz: alcool, cafeina, nicotina, chocolate, carboidratos. Esse fim de semana mesmo comemorei meu retorno a todos, com um porre de caipirinha no sabado a noite, chocolates assistindo filme no domingo a tarde, um mega jantar num restaurante italiano a noite e xicaras e mais xicaras de cafe' (brasileiro da starbucks!) hoje de manha. Vou tentar equilibrar a rotina durante a semana, me abstendo ao maximo de tudo, mas ja' me conscientizei que nao tem como banir tudo e manter a sanidade ao mesmo tempo. Morar em Londres te forca a ser humano.

***

Esqueci de contar: sou a mais nova e orgulhosa dona de um Ipod de 20 gb. Essa deve ter sido a melhor compra em termos de gadgets que eu ja' devo ter feito nos ultimos anos, e marcou definitivamente o comeco da minha migracao pra tudo que tenha o logo da Apple. Com 7 anos de atraso, mas as maiores paixoes as vezes levam tempo pra acontecer. Nao estou muito satisfeita com a duracao da bateria, mas o espaco disponivel e' excelente e ainda funciona como agenda de contatos, alarme e companhia nas jornadas diarias de metro.

***

Numa conversa no pub esses dias depois do cinema, consegui finalmente elaborar o plot daquele projeto que eu tenho desde os 17, o livro. Gracas ao J., que ficou comigo ate' as duas da manha imaginando possiveis situacoes e conflitos, chegamos a uma conclusao satisfatoria e agora finalmente posso comecar a pensar com calma e quem sabe, arrumar tempo pra escrever.

We'll see.


::: posted by thais mendes at 11:10 AM


3.1.05 :::
 
Assisti Closer ontem. Gostei muito, muito mesmo. A história é bastante simples e o filme inteiro gira em torno dos 2 casais e mais ninguém, mas essa deve ter sido uma das histórias de amor mais realistas que eu já vi produzida por hollywood. Eu sou fã de filmes sutis, que deixam a verdade subtendida, mas com esse filme a tensão fica por conta não do que vai acontecer, mas pelo que acontece e é explicitamente jogado na nossa cara o tempo todo. O excesso de honestidade dos personagens é altamente perturbador, e ser confrontado com a verdade de maneira tão crua faz com que a gente tenha medo de ser confrontado com verdades dentro de nós mesmos.

Achei bastante interessante também o fato de o filme falar sobre sexo o tempo todo e não há nenhuma cena de sexo ou nudez. O plot se segura o tempo todo com apenas os diálogos, que tem várias falas memoráveis, por sinal.

****

Demos um tempo essa semana no documentário pra dar atenção a outras coisas. Meu estágio por exemplo. Sem mais enrolações, mandei meu CV pra 3 ou 4 publicações e agora é só esperar a resposta. Melhor não dar muito detalhes, porque como pensa
o povo lá da Jungle, falar demais dá azar.

****

Falando na Jungle, as coisas andaram passando por umas mudanças, e até agora tem sido pra melhor. A nova editora é uma japa muito legal, cheia de experiência e entusiasmo. É ótimo trabalhar com gente assim, dá um gás pra continuar indo em frente.

Parece que a Jungle vai ter uma edição no Brasil e outra na Espanha. Mas é melhor não falar demais que dá azar.





::: posted by thais mendes at 8:13 AM


2.1.05 :::
 
10.01.05

Mexican Mania:

Lendo Like Water For Chocolate, de Laura Esquivel. História que se passa no México da virada do século 20, bastante interessante e sexy, que me fez parar pra pensar nas conexões entre comida e sexualidade. Vez ou outra a autora meio que cai pro lado clichê, exagerando nos "E Pedro mal podia tirar os olhos dos seios de Tita", mas por incrível que pareça, despertou meu desejo de aprender a cozinhar. Juro. Passei os últimos três dias cortando cebolas e cozinhando vegetais.

Também tive a sorte de assistir ontem Once Upon a Time in Mexico, porque conheci meu ídolo do começo do ano: o diretor Robert Rodriguez. Ele não se deixa intimidar e consegue fazer os filmes mais cool sem dinheiro e sem mega produção.
Pra começar, ele tem um studio digital (Troublemaker Studios, adoro o nome) montado inteirinho dentro de casa, e ele não faz o papel só de diretor, como também edita, faz a música, supervisiona os efeitos especiais e escreve o roteiro. E ainda cozinha bem. E ainda é bonitón. Uma inspiração. Quero ser ele quando crescer.

E pra terminar a onda mexicana, um dos meninos da film crew de ontem era mexicano. Conseguimos as melhores cenas de palco, apesar de que a entrevista com a menina foi rápida demais, culpa de um segurança cretino que mandou a gente cortar tudo em menos de 10 minutos. A menina também estava atrasadíssima, mas ando me acostumando com o estrelismo delas. Aposto que eu se eu trabalhasse com as big stars, elas acabariam sendo mais pontuais.

ah, e meu celular foi roubado. Tinha acabado de trocar por um novinho e pequenininho, e no meio da confusão dos equipamentos no club, ele sumiu. Fiquei surpresa com a minha reação, though. Não alterei um fio de cabelo, simplesmente liguei pra T-Mobile e mandei travar meu cartão. Vou ficar sem telefone por uns dias, so what. Acho que estou ficando adulta.


::: posted by thais mendes at 6:18 AM


1.1.05 :::
 
Blogger dando pau de novo. I gotta get outta here. Problema é que não tenho tempo (ou paciência) a essa altura do campeonato pra aprender a mexer em outras ferramentas. A última vez que resolvi aprender a mexer com webstuff foi no verão de 2000, quando me aventurei num curso no Senac na horrenda São Paulo. No final da temporada peguei horror da cidade (fezes humanas pelo caminho, ar irrespirável, trânsito incompreensível, calor infernal, pixações, argh!) e saí com um diploma de webdesigner embaixo do braço que jamais foi tirado da gaveta. Not my cup of tea.

***

Três dias de detox e eu já pulei a cerca. A mãe do namorado manda uma caixa cheia de goodies, entre elas um saco enorme de Sonhos de Valsa e eu não consegui resistir. Foi mais forte que eu. Daí depois disso fumei um cigarro enquanto entrevistava o dono de um club e comi quase metade de uma pizza grande assistindo Desperate Housewives as 10 da noite. Shame on me. Fazer dieta não era tão difícil assim quando eu era mais nova. Lembro a primeira vez que eu tentei aos 14 anos, pressionada pelo meu professor de ballet nazista. Em menos de um mês eu emagreci 6 kilos, chegando aos invisíveis 41 kgs e consegui o papel principal no festival de final de ano, de Giselle. Tá certo que depois dessa experiência tive que conviver com bulimia pelos 7 anos seguintes, mas pelo menos eu nunca tive problemas com mudanças de peso.

****

Faz tempo que eu não leio um livro bom. Desde que entrei de férias da faculdade. A única coisa que tenho lido são os suplementos do Guardian, do Observer e do Sunday Times, e só matérias que não tenham a ver com notícias. Sou absolutamente apaixonada pelo G2.

***

Meu passaporte finalmente chegou. Dois anos de visto. Yey!


::: posted by thais mendes at 7:26 PM



 

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